As técnicas de Mindfulness que podem deixar os miúdos mais concentrados.

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É natural que os miúdos, sobretudo entre as idades dos cinco e 12 anos, independentemente de onde ou como vivem, enfrentem alguns problemas, como ansiedade, dificuldade de concentração ou de controlo das emoções.

Cada vez mais pais — e, claro, especialistas da área — experimentam técnicas de mindfulness com os miúdos para reduzirem estes problemas.Temos a certeza de que já terá ouvido falar, ou lido algo, sobre o termo mindfulness.

Por muito exótico que pareça, trata-se simplesmente de um treino mental para nos concentrarmos no presente e naquilo que nos rodeia naquele momento e esquecermos tudo o resto.

A ideia é que nos desprendamos do passado que, por alguma razão, nos poderá atormentar e do stress com os pensamentos sobre o que teremos de fazer no dia de amanhã ou na semana seguinte. Afinal, passamos muito mais tempo preocupados com o passado e o futuro do que concentrados a aproveitar o presente.

Portanto, para atingir este estado de mindfulness há uma série de exercícios mentais que se podem fazer para ajudar — esta é uma prática idêntica à meditação, que é feita em religiões e filosofias como o budismo. Recentemente, foram publicados em Portugal dois livros que pretendem ensinar técnicas simples de mindfulness para os miúdos usarem no dia a dia e melhorarem as tais dificuldades.

Um deles chama-se precisamente “Jogos de Mindfulness”. Chegou às livrarias nacionais a 4 de março e foi escrito pela professora americana de meditação e mindfulness Susan Kaiser Greenland. Está à venda por 14,38€ e é uma edição da Nascente. Já o outro tem o título “Senta-te Quietinho como uma Rã”. Esta edição da Lua de Papel foi escrita pela terapeuta holandesa Eline Snel, especializada nestas áreas. Pode serencomendado por 12,60€, mas só chega às livrarias na terça-feira, 26 de março.

Ambos sugerem exercícios simples que podem ser introduzidos no quotidiano. Por exemplo, em “Senta-te Quietinho como uma Rã”, podemos ler sobre “olhar, mas sem julgar”.

“Quando aprendemos a olhar para as coisas sem deixar que os nossos pensamentos interfiram, constatamos que vemos melhor, interpretamos menos, e retemos mais coisas. Quando olhamos com atenção, vemos realmente”, escreve Eline Snel.

Exercício para os mais novos

Este é um exercício divertido para se fazer a caminho da escola: diga aos seus filhos para se tentarem lembrar de cinco coisas que veem durante o percurso até à escola (uma árvore, um sinal de trânsito, uma casa fora do vulgar, a entrada da escola). Conseguem descrever? Eles podem treinar para ver cada vez mais características da árvore ou do sinal de trânsito: cores e formas, pontos e letras.

Ao olharem sem julgarem se é bonito ou feio, descobrem mais sobre o mundo à sua volta.

E para os mais velhos

Peguem num galho de uma árvore e desenhem-no num papel. Desenhem exatamente o que veem e não aquilo que pensam que estão a ver. Façam isso vários dias seguidos e começarão a ver cada vez mais detalhes do galho. O desenho ficará cada vez mais exato.”

No mesmo livro há um capítulo onde o foco é a audição atenta, que nos pode ajudar a viver mais no presente e a reduzir a ansiedade e melhorar o controlo das emoções.

“Nem sempre é fácil ouvir realmente o que está a ser dito. Vamos ser honestos, as nossas mentes muitas vezes estão noutro lugar. Mas, tal como ver, também podemos aprender a ouvir. Tudo o que precisamos é de uma atenção consciente — e de aprender a reparar sempre que nos distraímos.

Escutar um som sem querer identificar de imediato o que estamos a ouvir facilita a capacidade de o ouvir realmente: que sons está a ouvir neste momento? Talvez um barulho de fundo? São sons com ritmo? Estão atrás de si ou à sua frente? Longe ou perto? Dentro ou fora do corpo? Consegue ouvir algum som dentro de si?

Um exercício divertido para se fazer ao jantar: tem dois minutos para falar de como correu o dia ou contar uma experiência, enquanto a família ouve sem fazer comentários. Ouvir com desejo genuíno de ouvir e compreender o que o outro diz é muito bom. Tal como fortalecemos os músculos se os exercitarmos, podemos treinar o músculo da atenção usando todos os sentidos.”

O livro “Jogos de Mindfulness” é mais específico e dá instruções claras e cuidadas sobre como utilizar as técnicas que nos levam a este estado mental. Um exercício simples é tentar sentir realmente os pés. Pode ser usado com miúdos, mas na verdade é para todas as idades.

“Prestamos atenção à sensação das plantas dos pés em contacto com o chão, para nos descontrairmos, concentrarmos e tomarmos consciência do que se está a passar neste momento.

Orientações

Sentem-se ou fiquem de pé, de costas direitas e com o corpo descontraído. Respirem naturalmente e observem o que está a acontecer no vosso corpo e na vossa mente, neste preciso momento.

Mantenham o corpo descontraído. Se estiverem de pé, mantenham os joelhos soltos. Agora, transfiram a atenção para as plantas dos pés e observem a sensação do contacto com o chão. Deixem os pensamentos e emoções que surgirem na mente entrar e sair.

Já sentem os pés? Se não os sentirem, não se preocupem. É natural que a vossa mente vagueie. Tragam só a atenção de volta para as plantas dos pés e recomecem.

Concentrar-se numa sensação como a de sentir os pés ajuda a criança a acalmar-se quando se sente demasiado excitada ou transtornada. Varie a sensação física que pede à criança para observar. Por exemplo, peça-lhe que sinta: o frio da maçaneta na palma da mão, quando abrir uma porta; a água quente e o sabonete, quando lavar as mãos; ou a malha macia a roçar nos pés e nos tornozelos, quando puxar as meias para cima.

A consistência é mais importante do que o tempo que a criança passa a jogar jogos de mindfulness, sobretudo de início.”

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