Buda não foi um deus e nem será. Foi um ser humano como qualquer um de nós.

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Evitar todo o mal,
cultivar o bem,
purificar a própria mente:
esse é o ensinamento do Buda.
Dhammapada 183

O budismo carece de explicações mais eloquentes tendo em vista a deturpação que sofre nas mãos de poucos estudiosos e muitos especuladores que não se dão ao trabalho de ir para a segunda página.

Existem alguns factos curiosos que envolvem o budismo e que se propagaram pelos anos sem que fossem devidamente contidos e viram um tipo de “fake news” de décadas. Uma delas é que o budismo é uma “filosofia de vida” e não uma religião.

Ora, filosofia é o conjunto de princípios teóricos que fundamentam, avaliam e sintetizam as ciências particulares e a palavra “religião” é muitas vezes usada como sinonimo de fé ou sistema de crença, mas a religião difere da crença privada na medida em que tem um aspecto público. A maioria das religiões tem comportamentos organizados, incluindo hierarquias clericais, uma definição do que constitui a adesão ou filiação, congregações de leigos, reuniões regulares ou serviços para fins de veneração ou adoração de uma divindade ou para a oração, lugares (naturais ou arquitectonicos) e/ou escrituras sagradas para os seus praticantes. A prática de uma religião pode também incluir sermões, comemoração das actividades de um deus ou deuses, sacrifícios, festivais, festas, transe, iniciações, serviços funerários, serviços matrimoniais, meditação, música, arte, dança, ou outros aspectos religiosos da cultura humana.” Ou seja, não faz sentido classificar o budismo como filosofia e sim como uma religião antiga e muito bem estruturada.

E falando nisso, vamos ao segundo facto curioso: budismo é uma religião ateia! Sim, isso mesmo, não existe a crença em um demiurgo (segundo o filósofo grego Platão – 428-348 a.C. -, o artesão divino ou o princípio organizador do universo que, sem criar de facto a realidade, modela e organiza a matéria caótica preexistente através da imitação de modelos eternos e perfeitos), ou um deus. Buda não foi um deus e nem será, foi um ser humano como qualquer um de nós, asseguradas as devidas diferenças de entendimento do mundo de cada um de nós. Mas no fim, não temos uma figura criadora e julgadora dos nossos princípios, porém não significa que estamos livres para fazermos o que quisermos sem uma consequência directa.

Toda essa religião é focada num princípio que chamamos de Lei da Originação Dependente que diz que tudo tem um princípio e um fim, gerando novo princípio e novo fim e assim por diante. Ou seja, nada é gerado espontaneamente, tudo tem uma causa e várias condições para existir ou viver. Por exemplo, a causa para uma árvore existir é a semente, mas as condições são o solo, a água, o sol. E essa árvore vai ser a causa de muitas outras que surgirão de suas sementes e daí por diante. Nada ou ninguém precisa interferir nesse ciclo. Isso também ocorre na vida quotidiana.

Reclamamos da situação do país, seja qual for, mas nunca analisamos as causas. Reclamamos da corrupção mas a causa dela é termos políticos corruptos que encontram condições para ter tal postura. Mas qual a causa do corrupto? Quem o elegeu! E talvez a falta de educação adequada seja a causa de eleitores mal informados ou mesmo a cultura de levar vantagem nos leve a reflectir nos nossos políticos as causas e condições que queremos para nós mesmos. Não se trata de uma questão punitiva por um ser superior, trata-se apenas de uma concatenação constante de eventos.

Original de autoria de Monge Hondaku no site Carta Capital

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