“Achava que o LSD salvava o mundo, depois descobri o Budismo”.

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O currículo de um monge não costuma incluir prisões por tráfico de droga, casamentos aos 14 anos, depressões ou até deixar a filha de 7 anos com os avós e partir. Mas a Monja Coen não quis esconder o seu percurso atribulado. Aliás, defende que o que mais a deixa feliz é a capacidade de mudança do ser humano.
Nasceu no Brasil como Cláudia Dias Baptista de Souza, foi mãe aos 17 anos, pouco depois estava divorciada. Trabalhou como jornalista durante a ditadura militar e ao fazer uma reportagem sobre comunidades alternativas, descobre a Zen. Tornou-se monja nos Estados Unidos, mais tarde viajou para o Japão, onde viveu durante 12 anos. Quando regressou ao Brasil, casada com um monge japonês, tornou-se líder do Templo Busshinji e mais tarde criou a sua comunidade. Já vendeu mais de 200 mil livros e acabou de escrever um sobre a pandemia. Os seus vídeos do YouTube são um sucesso, um deles já teve 3 milhões de visualizações.

Na sua página de YouTube dá conselhos para lidar com a pandemia. Qual é o mais importante?
Digo que nós atravessamos a pandemia e ela nos atravessa, nos entristece. Por isso, temos de [nos] voltar para dentro de nós mesmos. Temos de ficar em casa e perceber que você é o centro da sua vida. Tem de gostar de você, muitas pessoas não gostam de si mesmas. É verdade que estamos mais tristes, irritadiços, mas quando percebemos isso, começamos a cuidar de nós. Também há métodos simples para combater o tédio. Por exemplo, mudar a lata de lixo de lugar, sair do automático. Esteja presente no que está a fazer. Não é fazer uma coisa a pensar noutra, a nossa mente fica desesperada. Outro problema são as comunidades carentes.

Porquê?
A classe mais simples tem casas pequenas e continua com a cadeira na rua e os jovens querem ir para a balada. Não é possível falar para um adolescente da periferia que não tem estrutura em casa, que não pode sair. Tem de haver apoio governamental e medidas adequadas. Aquele que precisa de ir à festinha, que vá, mas com máscara, luvas, a horas marcadas, com poucas pessoas. Vivemos com mais medo, mas é bom ter medo. Porque aí você vai pôr máscara. Os que dizem que não têm medo, querem mascarar a realidade, negá-la.

Acha que o Presidente Bolsonaro está em negação?
Sim. É lamentável. Como pode uma pessoa ir contra o que a ciência está dizendo? Para ele isto [pandemia] foi terrível. Todo o processo eleitoral, desde impeachment – umas bobagens que aconteceram aqui – ele ficou muito contente. Ele acha que se a economia está bem, o país está bem. Mas não é bem assim. Não é só o PIB que interessa. Gosto muito do Butão que tem a felicidade interna bruta, o mais importante é ter uma população feliz, com suficiência de alimentação, de educação e de saúde. Devemos tentar mudar as coisas, mas sem raiva dessas pessoas.

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