Arqueólogos descobrem templo budista liderado por mulher há mil anos.

Escavações em Bihar, estado no leste da Índia, levaram arqueólogos a desvendar os resquícios de um mosteiro budista Mahayana datado do século 11 ou 12. Embora a região seja famosa por esse tipo de descoberta, o centro religioso é curioso por diversos motivos — entre eles o facto de ter sido liderado por uma mulher.

Segundo o jornal Times of India, é o primeiro mosteiro budista encontrado liderado por uma monja, cujo nome era Vijayashree Bhadra. Ao contrário da maioria dos mosteiros budistas, todas as celas tinham portas, o que sugere que os monges eram todos do sexo feminino ou que homens e mulheres viviam ali juntos. Dois selos de argila queimada com escrita sânscrita do século 8 ou 9 indicam que o nome do mosteiro era “O Conselho dos Monges de Śrīmaddhama vihāra”.

A arquitectura do lugar também chamou atenção dos estudiosos. De acordo com o jornal Hindustan Times, a estrutura do mosteiro é inédita num local de altitude na região de Bihar. “Mosteiros foram descobertos em muitos locais dessa área, mas essa é a primeira construção no topo de uma colina”, disse à publicação o arqueólogo Anil Kumar, líder do estudo e pesquisador da Universidade Visva Bharati. Segundo ele, a escolha do local provavelmente tinha como intenção se afastar das actividades humanas para praticar os rituais Mahayana. 

A equipa também descobriu um elemento arquitectónico na entrada da câmara principal do mosteiro que se refere a dois bodhisattvas, figuras do budismo que atrasam a iluminação pessoal a fim de oferecer a salvação aos adoradores presos à terra: Manjushri, que representa a sabedoria suprema, e Avalokiteshvara, que personifica a compaixão .

De acordo com Kumar, a região onde o templo se encontra funcionava como centro administrativo do Império Pala, cuja rainha era Mallika Devi. O arqueólogo explicou ao Hindustan Times que a área era conhecida como Krimila, nome também é mencionado na literatura budista.

A dinastia Pala governou Bihar e Bengala, hoje dois estados indianos, entre os séculos 8 e 12. Os líderes do império apoiavam instituições budistas e, segundo os investigadores, enviaram missionários para propagar a religião no Tibete.

O budismo Mahayana cresceu na Índia há cerca de 2 mil anos e tornou-se a religião dominante na Ásia Central e Oriental a partir do século 9. De acordo com a enciclopédia Britannica, a corrente é caracterizada por cosmologia grandiosa, ritualismo complexo, metafísica paradoxal e valores éticos universais.

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