Como os ensinamentos do Budismo podem ser aplicados no dia a dia?

Apesar de estar cada dia mais em alta, o Budismo não é exactamente novo, e começava a surgir na Índia há uns impressionantes dois mil e quinhentos anos. A religião – que na verdade não se denomina como uma – é quarta mais praticada no mundo, mesmo sendo não teísta, ou seja, não acredita na existência de um único Deus. Actualmente, estima-se que haja 500 milhões de seguidores no mundo todo. Os seus ensinamentos, criados em épocas tão distintas as que vivemos actualmente, nunca foram tão actuais: para o Budismo, as respostas que procuras muitas vezes estão dentro de ti. Mas, para encontrá-las, é preciso estar disposto a aceder o teu interior mais íntimo – tarefa nem sempre fácil ou agradável.

Mas não se engane: é impossível desligar-se do mundo exterior. Sofremos diariamente influência do ambiente onde estamos inseridos, mas a sua atitude interior pode ser a resposta para a manutenção de suas angústias.

Como tudo surgiu:

Assim como outros dogmas, a história do Budismo é contada há milénios e pode ter sofrido algumas alterações com o tempo. Acredita-se que numa região indiana – hoje pertencente ao Nepal – havia um príncipe chamado Siddhārtha Gautama . A sua jornada, que contou com um isolamento de 29 anos e uma busca pela compreensão humana que durou toda a sua vida, conferiram a ele o título de Buda Sakyamuni, considerado um ser iluminado. Mas que busca era essa? Buda percebeu ainda jovem que o luxo não traria a felicidade, que aparentemente é o maior desejo da nossa espécie desde que o mundo é mundo. Então ele partiu na procura de respostas: queria encontrar um método único que colocasse fim ao sofrimento humano. O que o guia espiritual concluiu é que isso só seria possível se o sujeito se dedicasse a evitar acções não-virtuosas o máximo possível, praticar o bem a todos que cruzassem o seu caminho, sem distinções, e treinasse a mente para enfim dominá-la. Em tempos onde viver até os 40 anos já era uma vitória, Buda viveu até os 80 – sendo provavelmente um dos primeiros casos de longevidade de sucesso da história na altura. Ele difundiu os seus ensinamentos até ao último dia da sua vida – que perduram até hoje mundo afora.

Principais preceitos:

Porque é que os seus seguidores não o denominam como religião, mas sim como uma filosofia de vida? Como posso aplicar os seus ensinamentos no meu quotidiano? Essaa são algumas dúvidas comuns que podem surgir quando o assunto é Budismo.

Apesar de ensinamentos tão actuais, o Budismo é das filosofias mais antigas que existem. Antes de respondê-las, é importante explicar as Quatro Nobres Verdades instituídas pela linha de pensamento budista:

A vida é sofrimento: O sofrimento é fruto do desejo. O sofrimento acaba quando o desejo acaba. Isso só é alcançado se seguirmos os ensinamentos de Buda – sendo essa a quarta Nobre Verdade, que propõe em seguida ensinar os caminhos para a libertação do sofrimento humano (também citado em literaturas budistas como Nobre Caminho Óctuplo). Essa busca pela libertação do sofrimento humano é baseada na sua trajectória individual que demanda as mudanças de atitudes do indivíduo que a pratica. E é isso que a torna mais uma filosofia do que propriamente uma religião: por não adorar nenhum Deus específico, ou não possuir uma hierarquia religiosa muito rígida, o Budismo acaba por se tornar uma busca pessoal. É a partir delas que o sujeito poderá enveredar pela “Senda das Oito Trilhas”, que consistem nas seguintes exigências: pureza de fé, de vontade, de linguagem, de acção, de vida, de aplicação, de memória e de meditação. Tendo ainda elas como base, há também preceitos muito semelhantes ao que outras religiões pregam, como a judaico cristã: não matar, não roubar, não mentir ou cometer actos impuros e não consumir líquidos inebriantes. Apesar de possuir linhas diferentes de pensamento, todas elas reservam em comum a fé no caminho da libertação por meio das Três Jóias: o Buda como guia, o Dharma como lei fundamental do universo e o Sangha como a comunidade budista.

Aplicando os ensinamentos budistas

Agora que já entendeste como nasceu o Budismo e o que o torna tão único e específico, hora de conhecer um pouco mais sobre seus valores. Os seus ensinamentos podem começar pelas duas grandes heranças que deixou, apropriadas por outras religiões e até por ateus: os termos “carma” – que diz respeito ao facto de toda acção possuir uma reacção a longo prazo – e o termo “nirvana”, que descreve um estado de extrema paz, quando o indivíduo atinge a iluminação de Buda e consegue extinguir-se de todo o ego humano.

Além disso, destaca-se o olhar em seu redor com amor e empatia, sabendo valorizar até mesmo o simples conforto do mundano, enxergar a beleza da rotina. Outro factor muito importante é o entendimento de que, diferente do nosso corpo físico, a nossa mente não possui limites e não só pode, como deve ser domada – e que isso, na verdade, pode ser a chave para o equilíbrio mental.

Praticar o desapego tanto emocional quanto material é um dos pilares dessa filosofia que também pode se encaixar nos seus hábitos, sobretudo eliminando a raiva. Isso reflecte até mesmo na escolha das suas relações pessoais, que deve ser feita com muito cuidado, zelo e atenção, pois reflectirão por toda a sua vida. Uma vez que isso for feito, será fácil alegrar-se pela conquista do outro, entrando noutro ensinamento budista também muito importante. Seja dono da sua própria felicidade é algo que Buda já pregava há milhares de anos, e que o ser humano ainda custa em aprender. Os problemas externos sempre existirão, mas cabe a si decidir como recebê-los e o quanto eles podem afectar-te. Lembre-se que não há nada na sua vida que tenha entrado ou permanecido sem a sua própria permissão, ainda que de forma inconsciente.

Por fim, entenda os seus limites e respeite-os. Para isso, controle as suas expectativas e seja gentil com as suas escolhas. Entenda que todas elas fizeram parte de quem és, e te guiaram pelos caminhos que te conduziram até aqui. Esteja presente no tempo presente e concentre-se nele, pois é somente ele que temos agora e o aqui e o agora devem ser as suas únicas preocupações.

Agora que já conhece mais sobre a doutrina budista, que tal praticá-la? Lembre-se que o Budismo não possui amarras ou limites de pensamento. É possível beber da sua fonte e absorver somente o que couber na sua vida, sem abdicar das suas outras crenças. O importante é estar em equilíbrio com os seus pilares , para ter uma vida longa e plena.

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