Espírito de Gratidão, segundo o Budismo

Manifestar a gratidão é algo que nós, seres humanos, devemos demonstrar diariamente. Basicamente, todos os factores que ocorrem na nossa vida devem-se ao facto de convivermos em sociedade e em interdependência. Não há como fugir disso.

Um exemplo: a possibilidade de usufruirmos de energia elétrica, água, alimentos, roupas e outros itens básicos deve-se ao facto de outras pessoas trabalharem para que a nossa vida “funcione” melhor. Porém, estamos tão ligados em modo automático, vivendo as nossas rotinas que não percebemos o quanto somos afortunados pelas oportunidades diárias que a própria vida oferece.

No momento que percebemos esse detalhe, estaremos praticando a verdadeira gratidão, segundo o Budismo. Quando um conhecido nos indica uma oportunidade de emprego, quando não estamos num bom dia e algum amigo oferece parte do seu tempo para um diálogo, quando alguém que gostamos, faz-nos uma declaração inesperada de afecto, quando o nosso animal de estimação nos recebe em casa todo feliz, após um dia cansativo… Podemos ficar muito tempo lembrando de valorizar as pequenas e grandes acções que os outros fazem por nós e sermos gratos por isso.

A maneira de manifestar gratidão, segundo o budismo, é fazendo pelas pessoas o que gostaríamos que fizessem por nós, às vezes até mais. “A velha raposa jamais esquece a colina onde nasceu; a tartaruga branca retribui a gentileza que havia recebido. Se mesmo criaturas inferiores sabem o suficiente para agir assim, então, os seres humanos deveriam fazê-lo muito mais!” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 4, pág. 17.)

Neste escrito do século XIII, o buda Nitiren Daishonin ensinou a importância de retribuir ao sentimento de gratidão com os pais, aos mestres (professores, pessoas que nos ensinam) e a todos os demais seres. Algumas fontes citam o débito de gratidão com todos os seres vivos.

Ele ressalta a importância que todos os seres humanos possuem de saldar o débito de gratidão como uma atitude fundamental e imprescindível do comportamento humano. Ele enfatiza que, para retribuir tal dedicação, a pessoa deve compreender a própria essência da vida das outras pessoas, assim como compreende a sua e, dessa forma, manifestar a gratidão na sua vida, primeira e unicamente tornando-se uma pessoa melhor.

Posteriormente, devemos ser gratos às pessoas que nos ajudam, nos auxiliam; bem como às pessoas que de alguma forma nos prejudicaram. Todos esses componentes são importantes para forjar o nosso carácter como seres humanos de primeira categoria.

“A razão pela qual devem ter gratidão por todos os seres vivos deve-se ao facto de — uma vez que a vida se estende pelas três existências — todos os homens terem sido o seu pai no passado, uma vez ou outra, e todas as mulheres terem sido a sua mãe. Existência após existência, ficaram em dívida com todos esses seres, é por isso que devem desejar que todos atinjam a iluminação em suas vidas.” (Siddhartha Gautama – Buda)

Podes começar hoje, neste exacto momento. Sê grato pela tua vida e pelas oportunidades que surgem todos os dias, mudando o pensamento de “o que eu tenho que fazer hoje?” para “o que eu posso fazer hoje pelas pessoas?”

2 thoughts on “Espírito de Gratidão, segundo o Budismo

    • De acordo com a tradição budista, todos os fenómenos são marcados por três características, as vezes referidas como os “três selos do Darma”. Eles são anicca (impermanência), dukkha (frustração cronica) e anatta (não-self, ou nada é provido de uma existência isolada e independente ).

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