A Discussão é Inutil.

Porque é que discutir é inútil?

“Se o adversário é inferior a ti, de nada serve discutir;

Se o adversário é superior a ti, de nada serve discutir;


Se o adversário é igual a ti, compreenderá o que tu compreendes;
Então… não precisará haver discussão ”

Todos os debates são inúteis, o próprio debater é uma idiotice, ninguém pode atingir a verdade pela discussão. Todas as discussões são uma grande perda de tempo, porque provocam um clima no qual qualquer entendimento entre duas ou mais pessoas torna-se insuportável, onde qualquer coisa dita é sempre mal interpretada. Uma mente que está disposta a vencer, a conquistar, não consegue compreender nada. Isso é impossível porque a compreensão necessita de uma mente tranquila e não violenta. E quando estás lutando pela vitória, tens obrigatoriamente, que ser violento de qualquer forma. E isso torna as discussões em algo fútil.

O caminho da compreensão e da paz, é através do diálogo pleno, nas boas intenções e sabendo ouvir.

Paquistão: Descoberto no Paquistão um dos templos budistas mais antigos do mundo 

Um dos templos budistas mais antigos do mundo foi descoberto na antiga cidade de Barikot, no vale de Swat, no Paquistão.

Foi confirmado que a construção remonta à segunda metade do século II a.C., mas há evidências de que pode datar do século III a.C., quando a região fazia parte do império Maurya.

A cidade de Barikot surge pela primeira vez em fontes antigas como uma das cidades assediadas por Alexandre, o Grande durante a sua campanha militar à Índia em 327 a.C.

Há evidências arqueológicas que a cidade de Barikot foi continuamente habitada desde cerca de 1700 a.C. até o século XVI d.C.

Em outubro de ano passado, investigadores da Missão Arqueológica Italiana escavaram um local no centro da antiga cidade que tinha sido aberto por saqueadores.

Durante a missão foram encontradas ruínas dos muros de um templo budista que tinha sido vandalizado ao longo dos séculos.

O templo tem mais de três metros de altura e possui uma estrutura e forma particular. O edifício foi construído num pódio absidal em que está uma estrutura cilíndrica que abriga uma pequena estupa. É claramente um exemplo de arquitectura budista.

Nos lados da frente do monumento estão uma estupa pequena, uma cela e o pódio de um pilar ou coluna monumental.

Determinou-se que a escadaria que conduz à cela foi reconstruída em três fases, a mais recente datando do século II-III d.C, avança portal The History Blog.

Mais de 2.000 objectos foram documentados e catalogados a partir da descoberta, incluindo cerâmica, moedas, inscrições, selos e joias. As datas serão confirmadas por análise de radiocarbono das amostras de solo semicarbonatado.

© Foto / ISMEO/UNIVERSITA’ CA’ FOSCARI VENEZIA

Positividade corporal. Aceite-se tal como é.

Quantas vezes já falámos sobre como deveria ser o nosso corpo ou até como deveria ser o de outra mulher? Afirmações como “Ela tem pouco peito”, “Ele é muito magro” ou “Ela está um pouco mais gorda” fazem parte do nosso universo e, normalmente, surgem de forma praticamente inconsciente. Mas quem é que impôs à mulher e ao homem um padrão de beleza ideal? Há uma pressão maior por parte da sociedade em relação ao corpo feminino que não existe, por exemplo, com o seu intelecto ou com os homens.Ou existe menos. Parece que uma boa imagem é a única coisa de que a mulher precisa para que possa estar bem consigo própria. Por outro lado, estamos constantemente a falar de aceitação. Chegou, por isso, a hora de se encontrar um equilíbrio. O desafio não é fácil mas as demandas dos novos tempos assim o exigem. “É importante que ganhemos a consciência de que os nossos corpos não estão destinados à perfeição”, defende mesmo Helena Morais Cardoso, psicóloga e terapeuta especializada em amor-próprio.

É preciso mudar o paradigma. “Body positivity [positividade corporal] é, para mim, conviver em paz, com a minha humanidade e com a ausência de perfeição que há em mim. Afinal, quem é perfeito?”, questiona a especialista. Aprender a gostar do nosso corpo, tal como ele é, independentemente do nosso género, pode não ser tarefa fácil. Por norma, na verdade, nunca o é. Quem nos roubou a autoestima e como podemos fomentar o positivismo relativamente ao nosso corpo com o peso e medida que merece?

Deixe de lado a comparação

O ser humano tem a eterna necessidade de pertencer e de identificar-se, de alguma forma, com o outro e com o que o rodeia. O problema surge quando este desejo é dominado por pertencer a um grupo que depende muito da imagem. “Se a nossa autoestima depender muito de um registo mais superficial, corremos o risco de pertencer a grupos onde confundo aquilo que é útil com aquilo que é fútil”, alerta o psiquiatra e psicoterapeuta Vítor Cotovio, habituado a lidar com este tipo de inseguranças.

Nesta situação, o importante é tentar perceber que “o grupo com que me identifico não me esgota como pessoa”, acrescenta o especialista. Este desejo de ser o outro está a fazer com que jovens e adolescentes procurem mudar a sua imagem, recorrendo cada vez mais a cirurgias plásticas. “Hoje em dia, há uma procura enorme de técnicas, a meu ver exagerada, por raparigas que desejam aumentar os lábios, os seios e fazer lipoaspirações. Isto está muito relacionado com a pressão que os media fazem na criação destes estereótipos de beleza”, afirmou publicamente o cirurgião plástico Francisco Ibérico Nogueira numa conferência da Deco.

Apesar de não defender que raparigas muito novas, ainda em fase de crescimento, sejam submetidas a cirurgias plásticas, o médico afirma que, nalgumas situações, também não podemos ser muito radicais. Tem de haver aqui algum bom senso e também algum acompanhamento psicológico. É, segundo o cirurgião plástico português, necessário avaliar cada situação junto de um psiquiatra, porque já aconteceram casos em que a cirurgia foi negada e essas jovens acabaram por suicidar-se uns tempos mais tarde.

A este propósito, Vítor Cotovio chama a atenção para a perturbação dismórfica corporal, um distúrbio mental comum que consiste na alteração da perceção do nosso corpo. Normalmente, as pessoas que sofrem desta perturbação têm sempre a sensação de que o seu corpo é desadequado. É o caso das vítimas de anorexia que, por mais magras que estejam, veem sempre refletido no espelho uma silhueta que exibe quilos a mais que, afinal, não têm. Ainda assim, insistem em não se alimentar convenientemente.

Evitar a comparação é o primeiro passo para que aceite o seu corpo e se sinta bem. “Se repararmos, as opiniões negativas que temos em relação ao nosso corpo têm sempre como base alguma comparação, seja porque não somos tão magros ou tão largos como deveríamos ou porque um determinado peito não tem o tamanho certo”, sublinha Helena Morais Cardoso. “Todas estas nossas opiniões internas estão ancoradas na comparação”, refere ainda a psicóloga e terapeuta especializada em amor-próprio.

Consiga uma autoestima de ferro

Por vezes, achamos que, para gostarmos realmente de nós, só precisamos de perder uns quilos ou de ter outra imagem diferente daquela que estamos habituadas a ver no espelho. Uma questão estética que esconde uma insatisfação constante. Quando a nossa identidade está muito dependente da nossa imagem é porque está pouco sustentada, avisam os especialistas. “É como se a identidade não tivesse um esqueleto interno, mas apenas pele e maquilhagem e só contasse com o aspeto externo”, explica Vítor Cotovio.

Por vezes, ainda de uma forma tendencialmente inconsciente, é a própria sociedade que reflete e incentiva até a sobrevalorização da imagem do indivíduo. A modelo brasileira plus size Letticia Munniz, conhecida pelas suas formas voluptuosas, afirmou, num podcast sobre o positivismo do corpo, que ficou surpreendida com a reação das pessoas ao seu emagrecimento repentino e exagerado depois do falecimento da avó. A manequim conta que os seguidores a elogiaram muito, mesmo estando conscientes de que aquele emagrecimento não aconteceu em condições normais e saudáveis mas, sim, porque estava a passar por uma depressão profunda.

Faça as pazes com o seu corpo

De pequenino é que se vai moldando o menino, readaptando um popular provérbio português. Termos uma atitude positiva com o corpo deve começar logo enquanto somos crianças. Vítor Cotovio defende que os pais e os formadores têm a obrigação de ir trabalhando essa autoestima e incentivar uma alimentação saudável e a prática do exercício físico desde cedo. O principal desafio para quem tem dificuldades em aceitar o seu corpo é, como se constata mais tarde, conseguir neutralizar a sua imagem.

“Aceitar algum atributo nosso é estarmos em paz com esse mesmo atributo, não passa propriamente por gostarmos automaticamente dessa parte de nós”, explica Helena Morais Cardoso. O erro que normalmente se comete é “ir de um lugar de body hate [ódio corporal] em que não gostamos nada das nossas pernas para o aposto, uma afirmação de que as adoramos”, acrescenta a terapeuta. Este é um processo que primeiro precisa de ser neutralizado para que depois se possa construir uma imagem corporal positiva.

Além de ser necessário relativizarmos a nossa própria imagem, este é um trabalho que deve ser feito de forma a estimular essa consciência nos outros, “elogiando atributos da personalidade do outro, descobrindo dons e talentos e reforçando outras áreas da sua identidade”, exemplifica Helena Morais Cardoso. Por outro lado, é necessário celebrar a normalidade e deixar de seguir o ideal de perfeição inatingível. “Felizmente, os media começam a despertar para esta questão e trazem-nos cada vez mais exemplos de corpos normais”, afirma a especialista. Pouco antes do início da década de 2020, deu-se um avanço nesse sentido que importa registar.

A rede social Instagram, uma das mais usadas, informou que vai aplicar restrições de idades a publicações que promovam produtos para perder peso e cirurgias estéticas a menores de 18 anos. Em alguns casos, também poderão ser eliminadas publicações que prometem resultados milagrosos e que estejam associados a uma oferta comercial. Um pouco por todo o mundo, outras plataformas têm vindo a seguir-lhe o exemplo, mas continuam, no entanto, a existir formas de promover e até valorizar esses conceitos.

Ainda assim, apesar do longo caminho que ainda há a percorrer, registam-se avanços no que se refere à normalidade corporal, uma definição que abrange todos os tipos de corpos, de todos os tamanhos e estruturas, como o positivismo corporal defende. “É através da banalização daquilo que não é perfeito que atenuamos a comparação e deixamos de nos sentir tão insuficientes, para passarmos a ter mais sentimentos de aceitação e adequação. Em nós e nos outros”, afirma a terapeuta Helena Morais Cardoso.

Fonte: Vanessa Pina Santos

Política sem Agressão | Dzogchen Ponlop Rinpoche.

Hoje em dia, parece ser difícil ter empatia para com as pessoas que discordem de nossas visões e práticas políticas e crenças. Em muitas situações políticas, parece que somos “nós contra eles”. Assim, como podemos aumentar a nossa capacidade de ter empatia e construir uma ponte entre opostos? E por que deveríamos ter empatia para com “o outro”? Uma boa razão pela qual deveríamos ter empatia pelo “outro” é que, se quisermos construir algo grandioso, um ambiente cooperativo é realmente necessário, aonde todos se unem e trabalham juntos. Este é o primeiro ponto. Também é bom lembrar que às vezes tendemos a exagerar as coisas. Quando há sofrimento, o exageramos. Quando há felicidade, a exageramos também. Por vezes, exageramos até mesmo o valor de nossas realizações. Essa tendência impede-nos de ver as coisas claramente. Portanto, precisamos estar atentos para a nossa tendência a exagerar as coisas, e tentar ver claramente se as coisas realmente são tão negativas quando pensamos que elas sejam. Pesquisas comprovam que temos uma forte tendência a nos inclinarmos em direcção a pensamentos negativos. Então, primeiramente, temos de estar atentos para isso. Podemos observar a nossa própria mente e ver quais são os nossos preconceitos e como eles tem nos impedido de ver o panorama geral, ou nos impedido de aprender algo útil.

Também precisamos notar que a divergência construtiva é na verdade muito benéfica. É como fazer uma avaliação de como estão as coisas – seja no campo da política, ou no caminho espiritual, precisamos reavaliar a situação repetidas vezes. Por vezes nos envolvemos em conversas sobre política aonde muita tensão surge. É nessa hora que devemos parar e ver se há algum benefício em seguir conversando, ou não. Será este o momento em que deve deixar para lá? Ou talvez exista uma maneira de dirigir a conversa para maior abertura e empatia? Os ensinamentos do Darma dizem isso também, que precisamos reavaliar continuamente a nós próprios – reavaliar como vai a nossa prática, como vão os nossos estudos.Portanto, precisamos ver que a divergência pode ser construtiva. Ou seja, na verdade ela não é algo ruim. É impossível que todos concordem com a mesma coisa! Nem mesmo dois companheiros concordam o tempo todo, como bem sabemos. Dá pra imaginar se todos concordassem com as mesmas coisas? Isso é quase impossível, como sabe. Com um sentimento saudável de divergência, temos que encontrar uma forma de fazer compromissos e ver o que seria mais benéfico ao país, às pessoas, ao mundo e aos seres sencientes. A jornada da vida, de estarmos todos juntos no samsara (roda da vida), é uma jornada de compromissos. Mesmo quando estás a conduzir, deve-se comprometer com os outros condutores na mesma estrada. Temos que apreciar o facto de estarmos na mesma estrada juntos. Não é como se a estrada pertencesse a si, sabe? Não importa se somos conservadores, liberais ou qualquer outra coisa. Temos que abandonar tais rótulos se queremos ter um diálogo construtivo. É necessário um sentimento de entendimento mútuo, de escuta mútua, e uma tentativa de ver o que se pode aprender um com o outro. Normalmente existe sabedoria nas palavras de cada um, nos seus processos mentais, se estivermos abertos a isso. Se não estamos ouvindo, se não abrirmos a nossa mente ao menos um pouco, nunca ouviremos nada de novo. A sabedoria nas palavras de cada um, nos seus pensamentos, nunca nos alcançará. Se todas essas vozes de sabedoria se unirem, poderemos ver mais harmonia do que conflito. E se estiver numa discussão política e alguém se tornar realmente hostil? Qual é o acto mais engenhoso que se pode ter nesse caso?

Nem sempre é possível transformar uma situação hostil numa divergência construtiva, na qual pode simplesmente concordar em discordar. Em momentos assim, talvez precise somente desapegar-se. Contudo, mesmo que não seja viável seguir a conversa naquele momento, sempre pode retomá-la mais tarde e tentar outra vez. Com o tempo, a conversa pode acabar mudando de figura. Podemos ser capazes de nos reencontrar com aquela pessoa noutro momento e sentir algum tipo de cordialidade.

Conto Budista | O Monge na Árvore

Um monge tinha o costume de meditar sobre uma árvore.

A fim gozar do monge, um viajante dirigiu-lhe a palavra:

Viajante: É perigoso para um senhor de idade ficar em cima de uma árvore, não?

Monge: Quem corre perigo de verdade é você, que não está procurando o caminho da iluminação.

Percebendo que o monge não era qualquer um, o viajante resolveu perguntar num tom mais sério.

Viajante: Qual a essência do Budismo, em poucas palavras?

Monge: Faça o bem e deixe de fazer o mal.

Viajante: Ora, só isso? Uma criança de três anos consegue entender…

Monge: Sim, uma criança de três anos entende. Porém, um ancião de 80 anos não consegue fazer.

Após um longo diálogo sobre a iluminação e o budismo, o viajante tornou-se um discípulo do monge.

Por vezes, os assuntos possuem uma profundidade maior do que aquela que pensamos por desconhecimento. Nem tudo é superficial.

Monge budista Thich Nhat Hanh morre aos 95 anos

Um dos mais influentes monges budistas do mundo, Thich Nhat Hanh, morreu este sábado no Vietname com 95 anos, anunciou a organização Plum Village, que gere templos com base nos seus ensinamentos a nível mundial.

O mestre “faleceu pacificamente” no templo Tu Hieu na cidade de Hue, o coração do zen-budismo vietnamita, disse a Plum Village na rede social Twitter, citada pelas agências de notícias France-Presse, Associated Press e EFE.

“Convidamos a nossa amada família espiritual global a tirar alguns momentos para estar em paz”, disse a organização do homem que voltou a viver no seu Vietname natal em 2018, após quase 40 anos no exílio nos Estados Unidos e em França.

Thich Nhat Hanh ajudou a difundir a prática da consciência no Ocidente, nomeadamente com a estrela de TV Oprah Winfey e a atriz Gwyneth Paltrow, ambas norte-americanas, e do budismo socialmente empenhado no Oriente.

Foi também influente com muitos chefes da indústria tecnológica de Silicon Valley, incluindo o gigante Google, onde foi convidado a divulgar os seus ensinamentos.

Thich Nhat Hanh é considerado uma das figuras mais empenhadas do budismo juntamente com o atual Dalai Lama, Tenzin Gyatso, que já lamentou a morte do “amigo e irmão espiritual”.

“Na sua oposição pacífica à Guerra do Vietname, no seu apoio a Martin Luther King e, sobretudo, na sua dedicação em partilhar com os outros não só como a atenção e a compaixão contribuem para a paz interior, mas também como os indivíduos que cultivam a paz de espírito contribuem para a paz mundial genuína, o Venerável viveu uma vida verdadeiramente significativa”, disse o líder espiritual dos budistas tibetanos, citado pela AP.

Escritor, poeta, pacifista e defensor dos direitos humanos, Thich Nhat Hanh opôs-se à guerra do Vietname (1955-1975), o que lhe valeu o exílio.

Começou a ganhar notoriedade internacional em 1966, quando se encontrou nos Estados Unidos com Martin Luther King, que um ano mais tarde o nomeou como candidato ao Prémio Nobel da Paz.

“Não conheço ninguém mais merecedor do que este gentil monge vietnamita. As suas ideias para a paz, se implementadas, seriam um monumento ao ecumenismo, à fraternidade universal, à humanidade”, proclamou o líder dos direitos civis norte-americano, assassinado em 1968.

Vetado pelo Governo pró-EUA do Vietname do Sul, não pôde regressar à sua pátria durante a guerra e foi-lhe também negada a entrada pelo regime em vigor desde a vitória do Norte comunista em 1975.

Em 1982, instalou-se no mosteiro de Plum Village, que fundou no sul de França e onde viveu até se mudar para a Tailândia em 2016, cerca de dois anos depois de ter sofrido um derrame cerebral.

Dois anos mais tarde, mudou-se para o pagode Tu Hieu Pagoda, perto da cidade vietnamita de Hue, o lugar onde se tornou monge em 1942, com 16 anos de idade, e onde morreu hoje.

O sucesso dos seus livros e dos retiros espirituais que organizou com centenas de seguidores permitiu-lhe propagar no Ocidente uma versão modernizada do budismo que estabelece a consciência e a paz interior como pilares centrais, os quais ligou a situações práticas da vida contemporânea.

O outro pilar principal dos seus ensinamentos é que os seres humanos têm de “ser paz” dentro de si próprios para superar sentimentos negativos como a raiva, o medo e o remorso.

Thich Nhat Hanh publicou cerca de 70 livros vendidos em todo o mundo, incluindo Portugal, onde foram traduzidas algumas das suas obras, tais como “Medo”, “A minha casa é o Mundo”, “A arte de viver”, “Criar a verdadeira paz”, “Caminhos para a paz interior”, “Felicidade” ou “A arte do poder”.

“Quando passamos a ser pais das nossas mães, corremos contra o tempo.” Valter Hugo Mãe

“A minha mãe é a minha filha. Preciso de lhe dizer que chega de bolo de chocolate, chega de café ou de andar à pressa. Vai engordar, vai ficar eléctrica, vai começar a doer-lhe a perna esquerda.

Cuido dos seus mimos. Gosto de lhe oferecer uma carteira nova e presto muita atenção aos lenços bonitos que ela deita ao pescoço e lhe dão um ar floral, vivo, uma espécie de elemento líquido que lhe refresca a idade. Escolho apenas cores claras, vivas.

Zango-me com as moças das lojas que discursam acerca do adequado para a idade. Recuso essas convenções que enlutam os mais velhos. A minha mãe, que é a minha filha, fica bem de branco, vermelho, gosto de a ver de amarelo-torrado, um azul de céu ou verde.

Algumas lojas conhecem-me. Mostram-me as novidades. Encontro pessoas que sentem uma alegria bonita em me ajudar. Aniversários ou Natal, a Primavera ou só um fim-de-semana fora, servem para que me lembre de trazer um presente. Pais e filhos são perfeitos para presentes. Eu daria todos os melhores presentes à minha mãe.

Rabujo igual aos que amam. Quando amamos, temos urgência em proteger, por isso somos mais do que sinaleiros, apontando, assobiando, mais do que árbitros, fiscalizando para que tudo seja certo, seguro. E rabujamos porque as pessoas amadas erram, têm caprichos, gostam de si com desconfiança, como creio que é normal gostarmos todos de nós mesmos.

Aos pais e aos filhos tendemos a amar incondicionalmente mas com medo.

Um amigo dizia que entendeu o pânico depois de nascer o seu primeiro filho. Temia pelo azedo do leite, pelas correntes de ar, pelo carreiro das formigas, temia muito que houvesse um órgão interno, discreto, que disfuncionasse e fizesse o seu filho apagar.

Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que amam sem esta factura não amam ainda. Passeiam nos afectos. É outra coisa.

Ficar para tio parece obrigar-nos a uma inversão destes papéis a dada altura. Quase ouço as minhas irmãs dizerem: não casaste, agora tomas conta da mãe e mais destas coisas.

Se a luz está paga, a água, refilar porque está tudo caro, há uma porta que fecha mal, estiveram uns homens esquisitos à porta, a senhora da mercearia não deu o troco certo, o cão ladra mais do que devia, era preciso irmos à aldeia ver assuntos e as pessoas.

Quem não casa deixa de ter irmãos. Só tem patrões. Viramos uma central de atendimento ao público. Porque nos ligam para saber se está tudo bem, que é o mesmo que perguntar acerca da nossa competência e responsabilizar-nos mais ainda.

Como se o amor tivesse agentes. Cupidos que, ao invés de flechas, usam telefones. E, depois, espantam-se: ah, eu pensei que isso já tinha passado, pensei que estava arranjado, naquele dia achei que a doutora já anunciara a cura, eu até fiz uma sopa, no mês passado até fomos de carro ao Porto, jantámos em modo fino e tudo.

Quem ama pensa em todos os perigos e desconta o tempo com martelo pesado. Os que amam sem esta factura não amam ainda.

Quando passamos a ser pais das nossas mães, tornamo-nos exigentes e cansamo-nos por tudo. Ao contrário de quem é pai de filhas, nós corremos absolutamente contra o tempo, o corpo, os preconceitos, as cores adequadas para a idade. Somos centrais telefónicas aflitas.

Queremos sempre que chegue a Primavera, o Verão, que haja sol e aqueçam os dias, para descermos à marginal a ver as pessoas que também se arrastam por cães pequenos. Só gostamos de quem tem cães pequenos.

Odiamos bicharocos grotescos tratados como seres delicados. O nosso Crisóstomo, que é lingrinhas, corre sempre perigo com cães musculados que as pessoas insistem em garantir que não fazem mal a uma mosca. Deitam-nos as patas ao peito e atiram-nos ao chão, as filhas que são mães podem cair e partir os ossos da bacia. Porque temos bacias dentro do corpo. Somos todos estranhos.

Passeamos estranhos com os cães na marginal e o que nos aproveita mesmo é o sol. A minha mãe adora sol. Melhora de tudo. Com os seus lenços como coisas líquidas e cristalinas ao pescoço, ela fica lindíssima. E isso compensa. Recompensa.

Comemos o sol. Somos, sem grande segredo, seres que comem o sol. Por isso, entre as angústias, sorrimos.” 

Budismo e a Mente | Tenzin Palmo

Do ponto de vista budista, O cérebro é somente o computador. E a parte que faz a programação. Mas qual é a energia que move o computador? Sem essa energia, o computador está morto. A energia que impulsiona o computador não reside no próprio computador. Recentemente, eu estava lendo uma série de artigos escritos por neurocirurgiões de renome. Um deles observou que, embora agora saibamos muito sobre o cérebro, ainda não encontramos a mente. Os tibetanos sabem sobre o cérebro. Se alguém é muito tradicional, incapaz de aceitar as novas idéias, muito preso às velhas formas de pensar, os tibetanos chamam-lhe de “cérebro verde”. A ideia é que o cérebro ficou bolorento. Eles entendem que o cérebro está relacionado com o pensamento, mas o pensamento não é a mente.

Quando falamos sobre mente no Budismo, não estamos falando apenas sobre a faculdade intelectual. Estamos a referir a algo muito mais profundo. Muitas vezes são a mesma palavra. A palavra subjacente, que échitta em sänscrito e sem em tibetano, significa coração e mente. Na altura do coração é onde te concentras. Isso dá a energia, a corrente eléctrica para operar o computador, sem a qual o computador está morto. Então, quando meditamos, temos que aprender a trazer essa energia ao nível do coração.Voltemos ao tópico específico da visão.Tradicionalmente declarada, a visão diz que a nossa mente de sabedoria primordial é a consciência e o vazio combinadas. Se pudermos avançar em direcção à natureza incondicionada da mente, uma condição subjacente fundamental de quem realmente somos, ficaremos com a consciência não-dual. Somos Conscientes; Isto é quem nós somos. Nós sabemos. Se não soubéssemos, estaríamos dormindo, em coma ou mortos. Nós sabemos. Estamos cientes. Mas essa consciência não é concreta. Não é algo a que podemos nos agarrar e dizer: “Esta é a minha consciência”ou “Este sou eu”‘. E transparente e aberto. Na linguagem tibetana, está vazio. Vazio aqui significa “como o céu”.

O monge e o barco | Thich Nhat Hanh

Um monge decide meditar sozinho. Longe do seu mosteiro, pega um barco e vai para o meio do lago, fecha os olhos e começa a meditar. Depois de algumas horas de silêncio inperturbado, ele de repente sente o golpe de outro barco atingindo o seu. Com os olhos ainda fechados, sente a sua raiva a subir e, quando abre os olhos, está pronto para gritar com o barqueiro que ousou perturbar a sua meditação.Mas quando ele abriu os olhos, viu que era um barco vazio, não amarrado, flutuando no meio do lago. Nesse momento, o monge alcança a auto-realização e entende que a raiva está dentro dele; simplesmente precisa de atingir um objecto externo para provocar. Depois disso, sempre que ele conhece alguém que irrita ou provoca a sua raiva, ele lembra; a outra pessoa é apenas um barco vazio. A raiva está dentro de mim.

Quatro lições sobre violência passiva | Arun Gandhi

 Arun Gandhi, neto do pacifista Mahatma Gandhi, é fundador do Instituto para Não-Violência M.K.Gandhi. Numa das suas palestra, ele partilhou quatro lições sobre a violência passiva que aprendeu com seu avô.

Lição 1 – Violência contra a humanidade através de um lápis.

Quando Arun tinha 13 anos, ele morava com o seu avô. Um dia, enquanto voltava para casa, ele jogou na rua um lápis de três centímetros que o Gandhi tinha dado. Arun achava que o lápis era muito pequeno e por isto, merecia um novo. Nesta noite, ele solicitou um novo e Gandhi perguntou sobre o lápis e a razão dele tê-lo jogado, solicitando que o neto o procurasse. No meio da escuridão e somente com uma lanterna, Arun vasculhou por duas horas antes de achá-lo.

Então, o avô ensinou-lhe duas lições que tornaram-se valiosas para ele. A primeira foi de que mesmo um pequeno e simples objecto, como um lápis, requer o uso dos recursos naturais do mundo. Descartá-lo é sinonimo de descartar os recursos do mundo e isto é uma violência contra a natureza. A segunda foi que embora possamos ter condições de adquirir inúmeros bens, algumas vezes os utilizamos de forma indiscriminada, consumindo recursos além do necessário.

Quando os consumimos em excesso, estamos privando que estes possam ser direccionados para pessoas que vivem na miséria e esta é uma violência contra a humanidade. Gandhi ensinou que, muitas vezes, as nossas pequenas acções diárias são actos de violência e que somente tomando o devido cuidado com os pequenos detalhes é que seremos capazes de resolver as grandes violências que ocorrem no mundo.

Lição 2 – Árvore Familiar da Violência

Gandhi ensinou ao jovem Arun que nós devemos compreender o que é a violência, antes de compreendermos o significado da não-violência. Ele sentia que isto era necessário para que pudéssemos compreender o volume de actos violentos que praticamos todos os dias. Gandhi sugeriu para que o neto desenhasse uma “Árvore Familiar da Violência”, sendo que a violência seria o tronco e a violência física e a violência passiva como dois ramos. Em seguida, ele explicou que a violência física é fácil de ser compreendida, pois causa feridas na pessoa atingida. Entretanto, a violência passiva – como a opressão, repressão, ódio, insulto e preconceito – não pode ser necessariamente observada. Assim, a violência passiva – a qual geramos a todo momento – faz brotar o sentimento de raiva na vítima e provoca a violência física. A violência passiva é o combustível que faz acender a violência física.

Desta forma, Gandhi ensinou que para cessarmos a violência, é fundamental rompermos a sua fonte, ou seja, a violência passiva. O pacifista indiano ensinou que devemos ser os precursores das mudanças que gostaríamos de presenciar e que isto somente é possível através do acto de compreendermos o quão violentos somos. Ele acrescentou que se vivermos negando a nossa violência, somente iremos permitir que ela continue presente. Arun partilhou esta compreensão com Gandhi desde a tenra infância, construindo esta “Árvore Familiar da Violência”. Ele escrevia diariamente sobre os seus sentimentos, acções e palavras, assim como os factos que presenciava. Por fim, ele compreendeu o quão violento ele era e através deste exercício, começou a mudar o seu comportamento.

Lição 3 – Confiança e Acção Construtiva

Gandhi ensinou que cada indivíduo possui um talento, na qual pode ser adquirido ou inerente. Entretanto, as pessoas geralmente acreditam que este talento pode ser dispendido de acordo com o seu próprio desejo. Gandhi acreditava que nós não éramos proprietários deste talento, mas que este nos era confiado.

Logo, este deveria ser utilizado em prol do bem estar social. Isto significa muito mais do meramente distribuir algo para alguém necessitado. Uma actividade sensível ao mal alheio é diferente, pois requer a interrupção do que estamos realizando neste momento e o redireccionamento das nossas energias em prol de uma solução para quem necessita da nossa ajuda. Requer que possamos encontrar a causa de uma determinada situação e de forma concreta, colaborar para que o indivíduo utilize o seu talento, com o objectivo de transformar esta circunstância para melhor. Tudo isto requer um sacríficio de tempo pessoal, para que possamos tanto conhecer o outro, como ajudá-lo na resolução do seu problema.

Lição 4 – Jornal da Raiva

Gandhi ensinou que a raiva é positiva, quando ela é compreendida e direccionada de forma efectiva e inteligente. Ele declarou que a raiva é como a electricidade, quando utilizada de modo inadvertido pode destruir todos; mas, se canalizada de forma inteligente, pode ser utilizada para o bem da sociedade. Gandhi sugeriu que Arun mantivesse um “Jornal da Raiva”, na qual ele escreveria todas as vezes que estivesse irado, ao invés de tomar uma acção com base neste estado de vida. Entretanto, Gandhi enfatizou que o jornal deveria ser escrito com o objectivo de encontrar uma solução construtiva para a raiva, ao invés de mantê-la viva dentro de si e que para o seu neto pudesse aprender a canalizar esta emoção de forma construtiva e enriquecedora.