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Conheça a maior Aldeia Budista do Mundo

A vila de Larung Gar, na China, é palco daquela que é a maior aldeia budista do mundo.

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O Daily Mail compilou no seu site algumas das imagens que dão a conhecer aquela que é a maior aldeia budista do mundo. Na vila de Larung Gar, na China, são mais de 40 mil os monges que lá habitam.

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Sem televisão, mas com direito a iPhone, os habitantes desta aldeia budista habitam em casas geminadas, onde as laterais parecem ser apenas paredes separatórias entre divisões.

A aglomeração de monges budistas nesta aldeia começou na década de 80, conta o Daily Mail que recorreu aos trabalhos de alguns fotógrafos para ilustrar o artigo publicado.

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Um deles é Wanson Luk, que viajou mais de 20 horas para conhecer este local isolado, apenas com o objetivo de fotografar o dia a dia dos que lá habitam. Gael Michaud foi outro dos fotográfos que esteve nesta aldeia para conhecer melhor os hábitos budistas.

O Buda não era Budista

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Quando Buda deu ensinamentos ele não pretendia criar uma religião, mas movido pela sua compaixão aspirava libertar os seres do sofrimento. Buda na realidade não ensinava budismo, mas apenas dava ensinamentos e práticas em diversos níveis, de acordo com a capacidade de cada um, para que os seres pudessem  libertar-se do samsara, a existência cíclica. O budismo não é apenas mais uma filosofia, uma psicologia, uma terapia ou uma religião ou mesmo uma ciência (embora se utilize delas para seu objectivo).

Como diz Namkhaï Norbu Rinpoche:

Vivemos na nossa dimensão humana limitada. Colocamos tudo numa caixa limitada, inclusive o nosso mestre, nosso maravilhoso mestre que está proporcionando ensinamento para solucionar este tipo de problema e limitação, muito facilmente o colocamos numa caixa limitada. Até o ensinamento do Buda se desenvolve de um modo limitado. Não obstante, desde o começo o Buda nunca ensinou algum tipo de limitação. Nem sequer disse: “O meu ensinamento chama-se budismo e é diferente dos outros”. Ele disse que havia descoberto um conhecimento além das limitações e que queria comunicar esse conhecimento a todos os seres humanos. Ainda que Buda dissesse isso e tratasse de comunicá-lo repetidamente, as pessoas não podiam entendê-lo. Vemos que tão logo Buda manifestou o Parinirvana, sua manifestação da morte, imediatamente seus discípulos dividiram-se em dezoito escolas diferentes, e cada uma delas dizia: “O nosso ponto de vista é exactamente o que disse Buda”. Todos tinham um pedacinho da verdade, porém não toda a verdade semelhante ao exemplo que o Buda deu sobre os cegos que queriam saber como era o elefante.

Através de um ponto de vista como este nunca descobriremos o significado real que existe além dele.

Segundo o Tantra Dode Kalpa Zangpo, o Buda disse:

“Manifestei-me de um modo onírico para seres oníricos e dei um dharma onírico, mas na realidade nunca ensinei e nunca apareci”.

O Buda manifestou-se de uma forma relativa, para seres relativos. E deu ensinamentos relativos, mas de um modo absoluto nunca apareceu, pois sua essência é o Dharmakaya a vacuidade, como também jamais poderia colocar a Verdade Absoluta em palavras, pois toda linguagem é relativa.

No Vajracchedika Sutra lemos:

Os Grandes, Que São Perfeitos Além dos Ensinamentos, Não Enunciam nenhuma Palavra de Ensino.

“Subhuti, o que pensais? O Tathagata atingiu a Realização do Incomparável Esclarecimento? Tem o Tathagata um ensinamento para enunciar?”

Subhuti respondeu: “Como entendo as palavras do Buddha, não há nenhuma formulação de Verdade chamada Realização do Incomparável Esclarecimento. Além disso, o Tathagata não tem nenhum ensinamento elaborado para enunciar”.

Por quê? Porque o Tathagata disse que a Verdade está além da compreensão e é inexprimível. Ela nem é nem não é”. “Assim é, portanto, que este Princípio Não-Formulado vem a ser a fundação dos diferentes sistemas de todos as sábios”.

E ainda segundo o mesmo Sutra:

Palavras não podem expressar a Verdade.

Aquilo que as Palavras expressam não é a Verdade.

“Subhuti, não afirmeis que o Tathagata concebe a idéia: ‘Eu indiquei um Ensinamento’. Pois se qualquer um disser que o Tathagata indicou um Ensinamento esta pessoa realmente calunia o Buda, e é incapaz de explicar o que ensino. Para qualquer sistema que pretenda declarar a Verdade, a Verdade de fato não é declarada; apenas damos a estes sistemas o nome de ‘uma declaração da Verdade”.

Até os próprios Ensinamentos são relativos, pois as palavras não podem descrever e conceituar o Absoluto, são como sinais de trânsito apontando o caminho para a Verdade, mas não são a própria Verdade. Na realidade o caminho também não existe porque a Verdade não vai nem vem, sempre esteve aqui e agora connosco, o tempo todo desde sempre, não havendo necessidade de dar um só passo para encontrá-la.

Lemos no Maha Prajna Paramita Sutra:

“Na realidade não há olhos, nem ouvidos, nem nariz, nem língua, nem sensibilidade do contacto, nem mente. Não há visão, audição, olfacto, gustação, tacto, nem processo mental, nem objectos desse processo mental, nem conhecimento, (consciência) nem ignorância. Não há destruição de objectos ou cessação de conhecimento, nem cessação de ignorância.

Na Realidade não existem as Quatro Nobres Verdades: não há Dor, nem causa da Dor, nem cessação da Dor, nem Nobre Caminho que leva à cessação da Dor. Não há decadência ou morte, nem destruição da noção de decadência e morte. Não há o conhecimento do Nirvana, não há obtenção do Nirvana, nem não-obtenção do Nirvana”.

Como observa D.T. Suzuki:

“No caso do Buda, uma convicção real e pessoal sobreviveu primeiro; depois, veio a construção lógica, para dar apoio à convicção. Na verdade não importava muito que essa construção fosse satisfatoriamente completada, pois a convicção, isto é, a própria experiência, era um fato consumado”.

“Na nossa vida diária, estamos sempre discutindo coisas a partir da premissa de uma experiência tão arraizada na consciência que não conseguimos livrar-nos dela. E estamos, por isso, escravizados a ela. Quando despertamos para a realidade desta escravidão, ingressamos na vida religiosa e é nessa vida religiosa que a experiência é tudo em tudo, não havendo necessidade alguma da lógica. Para algumas mentalidades, o Budismo parece racionalista por causa da referência que faz às Quatro Nobres Verdades, à Roda da Vida, ao Caminho Óctuplo etc… Mas devemos nos lembrar de que todas estas construções sistemáticas se seguiram à experiência por que passou o Buda sob a árvore Bodhi “.

Segundo esses ensinamentos aprendemos que todos os seres têm a natureza búdica perfeita, não há nada a ser adquirido ou modificado, apenas devemos descobri-la.

Somos todos Budas, mas esquecemos disso! E para nos lembrarmos recorremos aos ensinamentos dos mestres.

O Buda disse ainda:

“Apesar de eu não ter aparecido em lugar algum, apareço em todos os lugares para aqueles que gostam da aparência”.

Para aqueles que não gostam da aparência, sou sempre a vacuidade.

Apesar de eu nunca ter falado, falo para aqueles que gostam do som. Para aqueles que não gostam do som, permaneço silencioso.

Apesar de minha mente nunca ter pensado qualquer coisa, para aqueles que pensam que minha mente é omnisciente, ela é omnisciente. Para aqueles que pensam que minha mente não existe, minha mente não existe.

Quem quer que queira ver-me gradualmente pode ver-me gradualmente. Quem quer que queira ver-me instantaneamente pode ver-me instantaneamente. Tudo o que for desejado será atingido. Esta é a qualidade do meu corpo.

Quem quer que queira ouvir-me gradualmente pode ouvir-me gradualmente. Quem quer que queira ouvir-me instantaneamente pode ouvir-me instantaneamente. Tudo o que for desejado será atingido. Esta é a qualidade da minha fala.

Quem quer que queira conhecer minha mente gradualmente pode conhecer minha mente gradualmente.

Quem quer que queira conhecer minha mente instantaneamente pode conhecer minha mente instantaneamente. Tudo o que for desejado será atingido. Esta é a qualidade da minha mente”.

Todas as escolhas, todos os caminhos são relativos como pontos no espaço, mas estes são também espaço. O relativo é o absoluto e não podem ser separados.

Segundo Muntik Trengwa:

A essência primordialmente pura é despida de toda base de expressão:

A natureza espontaneamente realizada é perfeita não importa em qual aparência”.

O mestre Padmasambhava disse:

A consciência fresca no presente

Tem uma essência vazia, o Corpo Absoluto;

Uma natureza luminosa, o Corpo de Felicidade,

E um modo de emergência variado, o Corpo de Aparição.

Não podemos procurar o Buda algures.

Mesmo meditando, permaneçamos no frescura de quem não medita;

Mesmo olhando, permaneçamos no frescura de quem não olha;

Mesmo nos apegando, permaneçamos no frescura de quem não se apega;

Mesmo nos projectando, permaneçamos no frescura de quem não se projecta;

Mesmo reabsorvendo, permaneçamos no frescura de quem não reabsorve;

Mesmo distraídos, permaneçamos no frescura não distraído;

O que quer que surja, esse frescura que está em nós.

É um estado claro como o oceano límpido;

Onde felicidade, claridade e ausência de discurso estão espontaneamente presentes.

Sob a árvore bodhi, antes do amanhecer, Sidharta Gautama percebeu directamente a estrela da manhã, e despertou além de todo despertar, exclamando:

“Eu, a vasta terra e todos os seres somos iluminados manifestamos sem esforço o grande caminho. Sou o universo vivo. Sou os seis reinos da transmigração. Tudo isso, funcionando harmoniosamente, já é a iluminação”.

Autor: Karma Tenpa Dharguye

Cristianismo Budista

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Só o título já dá que pensar. Não vejo essa questão como sendo algo polémico. Vejo sim como uma questão que tem de ser abordada por todos aqueles que acreditam. Numa sociedade ocidental e maioritariamente cristã, como é Portugal, não deveremos ter estes fantasmas no armário. A pergunta que se faz é, tendo uma educação cristã, é possível acreditar em Deus e ao mesmo tempo nos ensinamentos de Buda ? Para mim a resposta é sim. E digo-o afirmativamente por várias razões. Uma delas é que eu vejo Deus como uma religião e Buda como um filosofo. Parece que cometi uma heresia ? Não acredito nisso. Acredito fielmente nos ensinamentos de Buda, que não se achava um Deus, que nem queria ser venerado como tal, e ao mesmo tempo sinto em mim, a influência que o senhor tem na minha vida. Será um cenário ideal ? Não tem de ser ideal, porque o cenário, ou o caminho a percorrer depende exclusivamente de nós, de modo a englobar todas as nossas crenças, ideias e objectivos de vida. Se ser cristão significa confiar tudo em Deus, ser Budista ou acreditar no Budismo é na prática, acreditar nos ensinamentos que os iluminados budistas nos tem para dar. Não são deuses, são homens. Homens de sabedoria. Homens de fé. Quem sou eu para julgar quem se dedica a espalhar os ensinamentos que são puros ? O Cristianismo e o Budismo no fim do seu caminho, algo em comum: São ambos caminhos de salvação. São plataformas de fé, que se podem cruzar mutuamente na mesma dimensão e até certa forma complementarem-se e enriquecerem-se de uma forma bela. Ambos os lados fazem parte de sociedade tão distintas que são a ocidental e oriental, e no entanto, apesar de métodos e caminhos tão diferentes e dispares, de propagar o verdadeiro amor, compaixão e dedicação, suprimir o ódio, egoísmo e maldade dos nosso corações e promover a verdadeira solidariedade, aquela solidariedade que pouco se vê nos dias de hoje, e fazer com o que é correctamente moral seja a regra e não uma farsa, que o pensamento siga um linha de orientação o mais perfeita que existe, apesar de sabermos que a perfeição não existe e que o ser humano em si é imperfeito. Claro que como em tudo há imperfeições que perturbam. Não há caminhos perfeitos, mas não poderemos julgar os escândalos da igreja como obra do Senhor, tal como não poderemos pensar que a auto-imolação dos seguidores do Budismo fosse algo que o Buda iria aprovar. Falo deste assunto, porque é pegando no melhor dos dois mundos, não minimizando ou glorificando um mais que o outro que iremos encontrar o equilíbrio. Se conseguirmos incorporar a dignidade humana, os valores bons de coração que ambos os lados apregoam, já seremos de facto melhores enquanto pessoas e seres humanos. Porque se acreditarmos em ambos os lados, ninguém deverá ir contra este nosso “pensar” ou maneira de estar. Porque quem acredita e pratica o bem, quem é seguidor e a solidariedade faz acontecer, não dever ser venerado, mas sim humildemente respeitado por conseguir conjugar nas suas crenças, ambos os lados. A riqueza espiritual, cultural e a identidade própria é valorizada claramente. Mas no fim do dia, acreditar em Deus e em Buda, não significa que somos hereges. Significa sim, que a nossa visão pessoal é aglutinadora de tudo aquilo que é bom e positivo e só temos a ganhar se conseguirmos praticar o bem em nome de ambos os lados.

Que Deus vos acompanhe !

Namastê !

Autor: Paulo César

 

 

No que os Budistas acreditam.

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Aqui no Portal do Budismo, publicamos artigos sobre o Budismo, sobre as coisas positivas da Vida e do Mundo. É dada especial atenção aos ensinamentos budistas seculares, que visa transmitir conhecimento, paz e tranquilidade através dos seus textos de pensamento, reflexão e acção para todas as pessoas, independentemente da sua classe social, escolha de vida, e tantos outros factores que nos distinguem, sem contudo que signifique que sejamos diferentes na nossa essência. Como diz o Dalai Lama: ”Eu não estou interessado no surgimento de mais budistas. O meu interesse é apresentar conceitos budistas que sejam aceitáveis e úteis para pessoas de todas as crenças religiosas e para aqueles sem qualquer fé religiosa.” porém achamos pertinente apresentar um post como este abaixo, que esclarece questões sobre o budismo em geral e os budistas.

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”Esse Dharma que conquistei”, disse Gautama ao relatar a sua descoberta naquela noite sob a ramagem da árvore original, ”é profundo, difícil de ver, difícil de despertar em nós, sereno, excelente, livre do constrangimento do pensamento, subtil, só percebido pelos sábios. Mas as pessoas gostam do seu lugar, é nele que se deleitam e repousam. Não é fácil, para quem repousa e se deleita com gosto no seu lugar, perceber esta esfera da condicionalidade, do surgir condicionado”.

Esse é o relato de um homem que empreendeu uma jornada e chegou a seu destino. O que viu era muitíssimo estranho, difícil de conceituar ou por em palavras. Ao mesmo tempo, compreendeu que outros talvez já tivessem passado pela mesma experiência. Pois aquilo para o qual despertou, a ”condicionalidade” – coisas específicas geram outras coisas específicas – era, num certo sentido, bastante óbvio. Todos sabem que sementes dão origem a plantas, que ovos dão origem a galinhas.  Entanto, insistia, esse ”surgir condicionado” é bem difícil de perceber.

Porque? Porque as pessoas ignoram a contingência fundamental da vida apegando-se ao seu lugar. O lugar de alguém é aquele a que esta mais fortemente ligado, o alicerce sobre o qual todo edifício de sua identidade pessoal se ergue. Consiste na identificação com um sitio físico e uma posição social, nas crenças religiosas e politicas, na convicção instintiva de que se é um “eu” solitário. O meu lugar é aquele onde estou e onde me defendo de tudo quanto possa desafiar o que é ”meu”. Representa minha atitude frente ao mundo, abrangendo o que se encontra deste lado da linha divisória entre ‘eu’ e ‘tu’. Semelhante apego gera a sensação de que estou fixo e seguro numa existência que é tudo, menos segura e fixa. A sua perda, receio muito, mergulhará no caos, na falta de significado ou na loucura as coisas que mais valorizo.

A busca de Gautama levou-o a por tudo de lado tudo quanto se relacionava ao seu lugar – rei, pátria, posição social, deveres de família, crenças, convicção de ser um eu dotado de corpo e espírito – mas não provocou nele uma crise psicótica. Pois, abandonando o seu lugar (alaya), ele conquistou um chão (tthana). Mas esse não é o chão aparentemente solido de um lugar – é o chão precário, transitório, ambíguo, imprevisível, fascinante e aterrador chamado de ”vida”. A vida é um ”chão sem chão”: logo que surge, desaparece para se renovar, entrar em colapso e desaparecer de novo. Flui incessantemente como o rio de Heraclito, que não se pode atravessar duas vezes. Se tentar segura-lo, ele escorrerá por entre seus dedos.

Não se deve confundir esse chão sem chão com ausência de apoio. Ele dá apoio de uma maneira diferente. Enquanto o lugar prende e paralisa, o chão solta e deixa ir. Não fica parado um instante. Mas, para merecer o seu apoio, precisa de se relacionar com ele de um modo diferente. Em vez de permanecer em pé, firme, com os punhos cerrados para se sentir seguro no seu lugar, terá que deslizar pela sua superfície liquida e cintilante como uma libélula, vencer a sua corrente como um peixe veloz.Buda comparou mesmo essa experiência a ”entrar num rio”.

O despertar de Buda envolveu uma mudança radical de perspectiva, não apenas a conquista do conhecimento privilegiado de uma verdade superior. Ele jamais empregou as palavras conhecer e verdade para descreve-lo. Só falou em despertar para um plano contingente – a esfera da ”condicionalidade, do surgir condicionado”- que até então, fora obscurecido pelo seu apego a uma posição fixa. Embora possa induzir a uma reconsideração daquilo que ”conhecemos”, o despertar, em si, não constitui primordialmente um acto cognitivo. Trata-se antes de um reajustamento existencial, de uma acomodação sísmica no interior da própria pessoa e no trato com os semelhantes. Longe de fornecer a Buda uma panóplia de respostas prontas as grandes questões da vida, permitiu-lhe encarar essas questões de um ponto de vista inteiramente novo.

Para viver num terreno assim tão movediço, precisamos antes de tudo de calar a obsessão com o que aconteceu ou acontecerá e permanecer mais atentos ao que acontece agora. Isso não significa negar a realidade do passado e do futuro, mas sim estabelecer um novo relacionamento com o carácter transitório e temporal da existência. Em vez de remoer o passado e especular sobre o futuro, devemos ver o presente como o fruto do que foi e o do que será. Buda não prescrevia o recuo para um agora místico e fora do tempo, mas um contacto directo com o mundo mutável tal qual se desdobra momento a momento.

Ter consciência do que sucede no presente exige o cultivo da atenção plena, que Buda definia como ”caminho único” para se alcançar a presença concentrada e a sensibilidade sem as quais não nos manteremos firmes num chão sem chão. Com efeito, ele explica a atenção plena (sati) como algo enraizado (patthana) no corpo, sentimentos e mente da pessoa, tanto quanto no mundo que a rodeia. Ficamos atentos quando percebemos o que acontece, e o contrario é deixarmos que as coisas aconteçam como se estivessem envoltas numa neblina ou fossemos premidos por acontecimentos com tamanha intensidade que reagíssemos antes de reflectir.

A atenção plena concentra-se inteiramente nas condições especificas da experiência diária. Nada tem a ver com coisas transcendentes ou divinas. Serve como antídoto para o teísmo, como cura para a compaixão sentimental e como bisturi para remover o tumor da crença metafísica. ”Quando um monge respira fundo, ele sabe: ‘Estou respirando fundo’; quando respira superficialmente, ele sabe: ‘Estou respirando superficialmente”’, diz o Buda. ”Essa pessoa age com atenção absoluta ao olhar para a frente e para trás, ao flexionar e estender os braços, ao vestir suas roupas e carregar sua tigela, ao comer, beber e degustar, ao defecar e urinar, ao caminhar, ficar de pé, sentar-se, dormir, acordar, conversar e manter silencio”.

Não há nada suficientemente vil ou mundano para merecer nosso descaso. A atenção plena aceita como objecto de pesquisa tudo aquilo que surge em seu horizonte de percepção, não importa quão penoso ou inquietante seja. Não convém que procuremos ou esperemos achar uma grande verdade por trás do véu das aparências. O que aparece e como reage ao que aparece; só isso que importa.

Atentando bem para o que acontecia dentro e fora dele, Buda despertou para o vasto campo aberto dos factos possíveis. O seu despertar não resultou apenas na teorização intelectual, mas também no enfoque meticuloso na trama da experiência. O nível que alcançou incluía ainda a nova perspectiva de vida que se abriu dentro dele graças a exposição ao ”surgir condicionado”. Quem ”repousa e se deleita com gosto no seu lugar”, continua Buda, ”acha difícil também perceber esse lugar: o arrefecimento das compulsões, desapego, cessação e nirvana”.

Algo bem no intimo de Buda parece ter cessado. Estava agora livre para não mais viver neste mundo a partir da limitada perspectiva de seu lugar. Podia permanecer inabalável diante do fluir desordenado dos acontecimentos sem que os desejos e medos dai oriundos o agitassem. Jazem no âmago dessa visão uma serenidade profunda, uma renuncia definitiva de hábitos e a ausência, ao menos momentaneamente, de ansiedade e conflito. Ele encontrou uma maneira de viver no mundo sem estar condicionado pela cobiça, pelo ódio ou pela confusão. Isso era o nirvana. Agora, poderia encarar o mundo da perspectiva do desapego, do amor e da lucidez.

 A chave do despertar de Buda deve ser procurada em sua aceitação  plena da transitoriedade. ”Quem ve o surgir condicionado” diz ele ”vê  o Dharma. E quem vê o Dharma, vê o surgir condicionado”.  Reconhecia que tanto ele mesmo quanto o mundo a sua volta eram  formados por factos fluidos e acidentais nascidos de outros factos  acidentais e fluidos – mas que não precisavam ter acontecido.  Houvesse feito outras escolhas, tudo seria diferente. ”Esquece o  passado” recomendou ao viandante Udayin. ”Esquece o futuro. Ensinar-te-ei aquilo que aparece. Quando isto não existe, aquilo não vem a ser; com a cessação disto, cessa aquilo”.

Buda rejeitava a ideia de que a  liberdade e salvação dependem do acesso privilegiado a uma fonte ou plano eterno, imutável, quer se chama Atman ou Deus, Consciência Pura ou Absoluto. Ter liberdade, para ele, significa eximir-se da cobiça, do ódio e da confusão. Essa liberdade (nirvana) além do mais, não se alcança pela fuga do mundo, mas pelo mergulho até o proprio cerne do efêmero.

Os bramanes, na época de Buda, sustentavam que o ser humano era animado por um espírito eterno ou um eu (atman) cuja natureza se identificava com a realidade perfeita e transcendente de Brahman (Deus). Essa crença é bastante sedutora, pois implica que aquilo que somos realmente jamais perecerá. Além disso, parece confirmada por uma convicção profunda de sermos testemunhas perenes de um fluxo incessante de experiências. A visão de um bando de pássaros voando pelo céu, o gosto de uma fruta ou a melodia do Concerto de Brandeburgo, de Bach, podem surgir e desaparecer, mas a consciência de conhecermos essas coisas persiste.

Desde a mais remota infância, alimento a convicção intuitiva de que uma mesma consciência testemunhou e continua a testemunhar cada acontecimento da minha vida. Se olho uma fotografia de quando era bebe ou avalio quando cresci e mudei ao longo dos anos, concluo que essa testemunha atemporal não pode identificar-se com o menino confuso, o adolescente rebelde, o jovem monge ou devoto ou o homem de meia idade céptico. Todos esses aspectos de mim mesmo são, ao que parece, apenas manifestações diferentes de meu ”ego” ou ”personalidade” e nada tem a ver com o eu essencial, imutável, que conhece e rememora essas coisas..

Ao mesmo tempo, uma das minhas lembranças mais inquietantes foi uma ocasião em que minha mãe abalou a minha certeza instintiva de ser ”eu”. Era Natal e eu deveria ter 16 anos. Ela e minha Tia folheavam um álbum de fotos na mesa da cozinha e depararam com a foto de um homem em uniforme militar, apertando os olhos para o sol com um cachimbo. A minha Mãe disse-me ”Se tudo tivesse acontecido de outra foram, ele poderia ser seu pai”. Pensei então: ”Mas, se esse homem fosse meu pai, eu seria eu?” Raciocinei: se outro das miriades de espermatozóides de meu pai verdadeiro houvesse fecundado o ovulo de minha mãe, o fruto dessa mistura de cromossomos teria sido eu? E se o mesmo espermatozoide encontrasse o ovulo do próximo ciclo de minha mãe, eu seria o bebe que dai nascesse?

A despeito desses vislumbres enervantes de minha própria incerteza, a convicção de ser uma testemunha permanente e atemporal continuou tão solida e indiscutível para mim quanto a visão do sol erguendo-se toda manha a leste, cruzando o céu e pondo-se a oeste. Parece que fui programado para experimentar a mim mesmo e ao mundo dessa maneira. Mas, apesar da evidencia inegável de meus próprios olhos, sei muito bem que a terra é que nasce e se põe, não o sol. Buda fez para o “eu” o que Copérnico fez para nosso planeta: colocou-o no seu devido lugar, embora ele continuasse parecendo o que antes parecia. Buda não negava a existência do eu, como Copérnico não punha em duvida a existência da terra. Bem ao contrario, em vez de de vê-lo como um ponto fixo e não acidental a cuja volta tudo o mais girava, concluiu que cada eu é um processo fluido permanente – como todas as outras coisas.

A tese de que o ser humano consiste num espírito puro e eterno, mas ligado temporariamente a um corpo corrupto e efémero, era generalizada no mundo antigo.[…] Buda declarou que sua percepção do carácter fortuito da vida ocorreu ”contra a corrente”, desafiando a intuição, isto é, o senso instintivo de sermos testemunhas atemporais de nossa própria experiência. Impugnou a crença numa alma eterna, e implicitamente, na realidade de um Deus transcendental, Buda  instava os seus seguidores a dar o máximo de atenção ao mundo em si dos fenómenos. A maneira como definiu a pratica da meditação virou de cabeça para baixo a sabedoria cultivada na época. Não instruiu os discípulos a voltar-se para dentro, a fim de perceber a natureza de sua alma, mas sim tomar consciência plena de seu corpo. Desse modo, com serenidade, notariam o que porventura lhes estivesse afectando os sentidos a cada momento, o modo como surgia e desaparecia, seu carácter fugaz, sua impessoalidade, sua alegria, sua tragédia, seu fascínio, seu terror.

As metáforas que empregou para descrever a pratica da atenção plena são simples e praticas. Comparou as pessoas que meditam a carpinteiros habilidosos, profissionais que aprenderam a fazer uso de suas ferramentas com extraordinária precisão, podendo assim desbastar um pedaço de maneira ou retalhar uma carcaça de animal com esforço mínimo e eficiência máxima. A percepção acurada não é descrita como concentração passiva num objecto único e fixo, mas como envolvimento subtil num mundo complexo e mutável. A atenção plena é uma habilidade que pode ser aperfeiçoada. Trata-se de uma escolha, um ato, uma resposta que brota da inteligência serena, mas curiosa. É solitária e sensível a textura peculiar do sofrimento próprio e alheio. 

“Não acreditem no que eu digo, testem por si próprios.”  Buda

 

O que Buda ensinou contrariava as ortodoxias da época. Não admira, pois, que haja percebido após seu despertar quão ”fatigante e arriscado” seria para ele instruir os outros. Afinal, as pessoas querem ser eternas e não aceitam facilmente a realidade inevitável da morte, aspiram a felicidade e fogem da contemplação da dor, insistem em preservar o senso do eu, evitando fragmenta-lo nos seus componentes vagos e impessoais. Vai contra os ditames da intuição aceitar que a imortalidade possa ser vivenciada a cada instante quando nos livramos do abraço letal da ganancia e do ódio  e que só nos tornamos pessoas plenamente individuadas depois de renunciar as crenças num eu essencial.

Buda era um dissidente, um iconoclasta. Nao queria de forma alguma se envolver com a religião sacerdotal dos bramanes. Para ele, a teologia dessa religião era ininteligível,  seus rituais eram inúteis e a estrutura social que legitimava era injusta. No entanto, compreendia bem o seu apelo irresistível, a sua tirania sobre a mente e o coração humano. Recusou-se a fazer o papel do guru iluminado, que exige submissão tácita antes de iniciar os seus discípulos em doutrinas reservadas a uma elite espiritual. Mas, ainda assim, não podia permanecer calado. E chegou a hora que teve de entrar em acção. Constatou que pelo menos algumas pessoas, ”com pouca poeira nos olhos”, o compreenderiam. Abandonou, pois, sua árvore em Uruvela e foi para Baranasi, onde sabia que alguns de seus antigos companheiros, um grupo de cinco brâmanes de Sakiya, estavam instalados no parque dos Cervos, perto da aldeia de Isipatana. …

Introdução: Portal do Budismo

Texto:  Stephen Batchelor

Portugal inaugura centro budista com 60 hectares

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Portugal inaugura, em Setembro, um dos maiores centros de retiros budistas tibetanos da Europa. Junto a Alcácer do Sal, em Santa Susana, o centro Gephel Ling tem mais de 60 hectares e coloca Portugal na rota internacional do budismo tibetano.
A inauguração do centro é celebrada com um retiro de meditação e ensinamentos, entre 13 e 27 de Setembro, trazendo pela primeira vez a Portugal o mestre Khochhen Rinpoche, um dos mestres tibetanos mais antigos vivos da tradição Nyingma (umas das tradições ou Escolas tibetanas).Em comunicado enviado, fonte ligada ao centro explica que as deslocações deste mestre à Europa são raras. A sua vinda ao centro Gephel Ling, em Santa Susana, será uma oportunidade única para budistas portugueses e de outros pontos do mundo tomarem contacto com ensinamentos desta linha de budismo.
Gephel Ling é o primeiro grande centro de retiros de budismo Vajrayana tibetano em território europeu. O espaço vai receber cerca de duzentos praticantes no retiro de inauguração, numa propriedade com extensão horizontal de 64 hectares na localidade de Santa Susana junto a Alcácer do Sal. Trata-se de uma iniciativa do CET – Centro de Estudos Tibetanos Pendê Ling, com sede no Estoril, regido pelos mestres ocidentais Lama Chodor e Lama Guyrme (na foto abaixo).
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Centro quer acolher praticantes de todo o mundo
Este novo centro de retiros resulta da aspiração destes Lamas de que Portugal tenha um pólo de promoção da cultura tibetana e dos ensinamentos do Buda e também um centro de retiros com capacidade para albergar, com conforto, praticantes provenientes de vários pontos de Portugal e do mundo para receberam ensinamentos específicos das Tradições Nyingma e Kagyu do budismo tibetano.
Considerando o potencial do turismo religioso (cerca de 300 milhões de turistas religiosos por ano no mundo), a crescente comunidade de praticantes de meditação budista em Portugal e o número de budistas que fazem turismo pelo mundo, o centro Gephel Ling revela-se uma auspiciosa alavanca que ajudará a colocar Portugal na rota dos centros de retiros budistas da Europa, trazendo também benefícios para a população e economias locais do concelho de Alcácer do Sal.Os Lamas regentes prevêem organizar três a quatro retiros internacionais por ano no centro Gephel Ling.
Portal do Budismo com Boas Notícias. Foto: Carla Paiva

Um Conto Zen Budista

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Há uma história indiana de um homem que era um ateu e agnóstico, um raríssimo tipo de postura na Índia. Ele era uma pessoa que desejava livrar-se de todas as formas de ritos religiosos, deixando apenas a essência da directa experiência da Verdade. Ele atraiu discípulos que costumavam reunir-se em seu redor toda semana, quando ele falava a todos sobre os seus princípios. Após algum tempo eles começaram a juntar-se antes do mestre aparecer, porque eles gostavam de estar em grupo e cantar juntos.

Eventualmente foi construída uma casa para as reuniões, com uma sala especial para o mestre agnóstico. Após sua morte, tornou-se uma prática entre seus seguidores fazer uma reverência respeituosa para a agora sala vazia, antes de se entrar no salão. Numa mesa especial a imagem do mestre era mostrada numa moldura de ouro, e as pessoas deixavam flores e incenso lá, em respeito ao mestre. Em poucos anos uma religião tinha crescido em torno daquele homem, que em vida não praticava nada disso, e que, ao contrário, sempre disse aos seus seguidores que ficar preso a estas práticas levava frequentemente a pessoa se iludir no caminho da Verdade.

Assim ele dizia:

“Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento.

Tenhais confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras. Tenhais confiança não na teoria, mas na experiência.

Não creiais em algo simplesmente porque vós ouvistes.

Não creiais nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.

Não creiais em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.

Não creiais em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados;

Não creiais no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.

Não creiais em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.

Mas após contemplação e reflexão, quando vós percebeis que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então o aceiteis e façais disto a base de sua vida.” 

 

Kalama Sutra

 

 

O que faz de ti um Budista ?

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Não é as roupas que veste, as cerimónias que executa, ou a meditação você faz, diz Dzongsar Jamyang Khyentse. Não é o que  come, quanto bebe, ou quem tiver relações sexuais. É se concorda com as quatro descobertas fundamentais do Buda feitas sob a árvore Bodhi, e se fizer isso, pode chamar-se um budista. Um deles é um budista se ele ou ela aceita as quatro verdades seguintes:

Todas as coisas compostas são impermanentes.
Todas as emoções são dor.
Todas as coisas não têm existência inerente.
Nirvana está além de conceitos.

Estas quatro declarações, ditas pelo próprio Buda, são conhecidos como “os quatro selos.”
É hora das pessoas modernas como nós mesmos para dar algum pensamento sobre assuntos espirituais, mesmo se não temos tempo para sentarmo-nos sobre uma almofada, mesmo que sejamos rejeitados por aqueles que usam rosários em torno de seus pescoços, e mesmo se tivermos vergonha de expor as nossas inclinações religiosas para nossos amigos seculares. Contemplando a natureza impermanente de tudo o que vivemos e o efeito doloroso de se apegar ao nosso ser, dá paz e harmonia, se não a todo o mundo, pelo menos dentro de nossa própria esfera.
Os quatro selos são como chá, enquanto todos os outros meios para concretizar estas verdades práticas, rituais, tradições e culturais são como um taça. As habilidades e métodos são observáveis ​​e tangíveis, mas a verdade não é. O desafio não é se deixar levar pela taça. As pessoas estão mais inclinados a sentar-se em linha recta  num lugar calmo, numa almofada de meditação do que para contemplar o que virá primeiro, amanhã ou na próxima vida. Práticas exteriores são perceptíveis, por isso a mente é rápida para classificá-los como “budismo”, enquanto que o conceito de “todas as coisas compostas são impermanentes” não é tangível e é difícil de rotular.

Não pode dobrar estas quatro regras; há nenhuma excepção social ou cultural.

 

Ngak’chang Rangdrol Dorje 

Pensamento Positivo Budista

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Há uma crença geral de desconfiança em relação ao Budismo. Tais desconfianças só se perpetuam quando há uma falta de compreensão do que o budismo é realmente sobre. Milhões de budistas em todo o mundo viveram e continuam a viver vidas muito positivos com base em acções positivas , a base para o que é o pensamento positivo que o budismo promove . O pensamento positivo do ponto de vista budista é o pensamento baseado na realidade que evita auto-engano e auto-ilusão. Nós poderíamos embalar a nós mesmos em uma falsa sensação de segurança , olhando longe das duras realidades da vida (ver as Quatro Nobres Verdades ) , ou podemos escolher para enfrentá-lo de frente , sem medo e lidar com ele de forma eficaz , que é o Budismo nos permite fazer .

Quais são os pensamentos positivos? Quaisquer pensamentos que diminuem a lobha (desejo) , diminuir a Dosa ( raiva ) e diminuir a Moha ( ilusão, incorrectamente pensar que o certo é errado e o errado é certo ) são pensamentos positivos. Inversamente quaisquer pensamentos que aumentam a nossa lobha (desejo) , dosa ( raiva ) e Moha ( ilusão ) são pensamentos negativos. Quando praticamos Dana ( dar ) , por exemplo, nós diminuímos o nosso desejo ( lobha ); quando realizar actos de bondade ou desenvolver a meditação Metta diminuímos nossa raiva ( Dosa ) e realizar qualquer boa acção , como dar e ser gentil aumenta a nossa sabedoria ( pañña ) o oposto da ilusão ( Moha ) . Exige pensamento positivo para sequer cogitar fazer acções positivas como esta e quando estamos realizando essas acções a nossa mente são impulsionados e cheio de pensamentos positivos.

O nosso estado de espírito reflecte a vida que levamos , vidas positivas reflectem mentes positivas e negativas vidas reflectem as vidas negativas. Vidas vividas com atitude positiva mental, verbal e acções físicas, incluindo Dez Tipos de Acções Meritórias ( Kusala ), nomeadamente:

1. generosidade ( dana ) 2. moralidade ( sila ) 3. meditação ( bhavana ) 4 . reverência 5 . serviço de auto- menos 6. “Transferência” de mérito (sem transferência real , esta é uma simplificação ) 7. regozijando-se de outros méritos 8. ouvindo o Dhamma (Ensino ) 9. ensinando o Dhamma e 10. corrigindo os próprios pontos de vista errados , renderia mentes positivas e felizes. Na realidade, porém todos temos negativos em nossas vidas , a maioria deles causados ​​por nosso passado ( vidas presentes e anteriores ) acções inábil , que dão origem a pensamentos negativos , mas é importante para lidar com eles de forma eficaz.
Há pouco ponto na realização de muitas acções positivas, mas em seguida me deter sobre os pensamentos negativos que vêm à nossa mente . Ele pode exigir um grande esforço da nossa parte para parar de pensar negativamente , em primeiro lugar e , em seguida, começar a pensar positivamente em seu lugar. O Buda realmente quebrou este processo em quatro etapas . Ele nos aconselhou a parar o aparecimento de pensamentos negativos novos ainda não- surgidos, para remover os pensamentos negativos que já tinham surgido , para cultivar ainda mais novos pensamentos positivos que ainda não tinham surgido e aumentar os pensamentos positivos existentes que já haviam surgido em nossa mentes . Isto é descrito em um bom pormenor na sexta etapa ( Samma – Vayâmo ou Esforço Correto ) do Nobre Caminho Óctuplo , o caminho que conduz a Nibbana ( fim de toda a dukkha ou insatisfação ) .

Uma pessoa que leva uma vida muito positiva também tem um estado muito positivo da mente . Se pudéssemos preencher todo o nosso dia com Pensamento Bom, ( por exemplo, desejar o bem de terceiros ), Acção Verbal (por exemplo, falar com as pessoas gentilmente ) e (por exemplo, ajudar os outros sem esperar nada em troca) acções físicas e também reflectir sobre eles constantemente então poderíamos ser muito felizes. É importante não insistir em pensamentos negativos , a ponto de eles levar-nos a tornar-se infeliz. O Buda nos ensinou a abandonar os pensamentos negativos e desenvolver pensamentos positivos no Nobre Caminho Óctuplo e cabe a nós trilhar esse caminho para Nibbana. Evitar pensamentos negativos e pensar positivamente pode exigir muito esforço e treinamento em nossas peças , mas o resultado seria mentes mais felizes e uma vida mais feliz . Uma mente positiva é uma mente pura.

Fonte: Rasika Wijayaratne

Evento Budista – Coimbra

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Nos dias 4, 5 e 6 de Abril em Coimbra – desenho de Buda segundo a tradição de arte tibetana, meditação nas qualidades de Buda Sakyamuni, com Carmen Mensink, artista de reconhecido valor internacional pelo seu trabalho além fronteiras.

Tibetan Thangka Painting (website) http://www.tibetanthangkapainting.com/courses-thangka-workshops-portugal-english.html Thangka Painting (facebook) https://www.facebook.com/pages/Thangka-Painting/159911694057408 Carmen Mensink (artista) https://www.facebook.com/carmenmensink?fref=ts Evento em Coimbra (facebook – toda a informação sobre o evento) https://www.facebook.com/events/180904838767225/

Mais informações e interesse: ehwam.info@gmail.com

 

O que é ser Budista ?

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Pode haver em alguma altura da nossa vida, que sentimos algum tipo de fascínio pelo Budismo. Seja pela atitude demonstrada pelos seus seguidores, pelos seus rituais, ou a maneira os budistas seguem o seu caminho, tanto na vida, como na sua relação com os outros, e claro, pelos grandes e milenares ensinamentos do iluminado Siddhartha Gautama ( Buda ). E artigo não pretende ser um guia fácil para se ser Budista. Pretende é dar clareza e coerência ao que é na sua essência, ser Budista e por consequente, ser seguidor desta maravilhosa filosofia de vida, que nos preenche, nos faz melhores indivíduos e de uma enorme entrega ao mundo e na pratica do bem.
Buda ensinou que qualquer tipo de sofrimento por si, advém de algum tipo de desejo, seja ele vindo de dentro de nós mesmos ou das pessoas que nos rodeiam. Se formos a raciocinar sobre isto, veremos que de facto, este pensamento é verdadeiro. Quando é que já aconteceu as pessoas quererem tanto um objecto, não obterem e depois ficarem tristes ? Quererem ganhar tanto o Euromilhões, e gastam dinheiro em apostas, e nada conseguem, ficando ainda piores no seu estado de alma ? São exemplos do dia-a-dia, mas reflectem de forma fiel a sociedade moderna. 
A maioria das pessoas não tem o discernimento para aceitar a realidade e acreditam, que apesar de irem a uma igreja, culto ou templo e ouvir ensinamentos de bem, que mesmo não os aplicando, que tudo se resolverá. Como se apenas a presença em algo espiritual sem a ligação devida fosse de facto a solução para todos os males. O facto de ter força de vontade para ler este artigo e estas humildes palavras, pode significar algo. Que o Budismo pode ser de facto, não a solução, ou meio fácil de seguir ou obter algo, mas quem sabe o veículo para uma mudança positiva na sua vida. Pode parecer estranho comentar ou dizer as pessoas que somos seguidores do Budismo. Afinal, Portugal é um país de ensinamentos Cristãos, muito longe do Nepal ou do Tibete, e que apesar de haver um aumento relevante da presença Budista em Portugal, seja em pequenos templos, centros ou núcleos, a verdade é que os ensinamentos não estão acessíveis a todos, seja por falta de informação, falta de outros tipo de meios, ou o aproveitamento financeiro de alguns ditos “iluminados” sem o serem. Tal como não é o hábito que faz o monge, não é alterando toda a sua casa ou quarto para parecer um qualquer tipo de mini-templo que irá fazer mais de si, um Budista. E não leve a mal, não quero ofender ao afirmar o que afirmei. A verdadeira crença advém não de objectos, mas de atitudes, de gestos, da prática do bem. Vem da energia positiva que deixamos fluir em nós. Vem da generosidade que temos com outros, sem ter a expectativa de ter algo de volta. É isso mesmo, dar sem querer retorno. Ter o espírito livre, solto e com luz. É ajudar e tratar todos da mesma forma, não praticar o mal propositadamente, não estar dependente de pessoas, situações ou objectos, mas sim ter uma mente livre do desapego, pois o desapego é o caminho para nos sentirmos menos pressionados. O dia-a-dia desta sociedade formatada, das imposições, pressões, levam a maioria das pessoas a deprimirem-se, a refugiarem-se em vícios, a tomarem medicamentos que desvirtuam a mente, e que façam que se tornem fantoches e não pessoas no sentido real do termo. O Budismo não é um caminho “fácil” de se obter o que esperamos. Tudo na vida, tem o seu trabalho, a sua dedicação, a sua fidelidade aos princípios, um compromisso positivo para uma vida de bem, de actos de luz , de um abraçar a tudo aquilo que faz de nós, únicos, de uma determinada perspectiva, não desvalorizando os restantes, porque todos temos dentro de nós o potencial que necessitamos para sermos aquilo que quisermos. É nisso que acredito. É isso que defendo. Defendo com força e uma crença inabaláveis, com o sentido que o rio segue até desaguar no mar, sendo esse sentido a minha força de vontade, o rio o caminho insidioso que se vai tornado um pouco menos duro devido a evolução individual, sendo o mar, o estado de consciência superior que todos um dia queremos atingir. Mais uma vez, os passos que irei enumerar, não fazem de si um Budista. Mas dão algum conhecimento sobre o que é ser seguidor na sua essência, apesar de sabermos que não há nenhum guia “descomplicador” ou “facilitador” para atingirmos aquilo que queremos ser ou seguir.
 
Passo 1
 
Ler muito sobre o Siddhartha Gautama, ( Buda ) o “iluminado”, o pai do Budismo.  Há várias citações a deambularem pela Internet, mas ler e interpretar os textos sagrados em si, as suas questões, conclusões, explicações são de um valor inestimável. Tentar meter-se nos pés de Buda, do seu longo caminho e no sentido em que ele queria ir. Sem nunca esquecer quem é, e de que é sua vontade fazer o seu próprio caminho de luz. Alcançar o significado das palavras, sentir a grandiosidade dos actos, irá proporcionar um sentido apurado e uma crença forte no significado de cada palavra, frase ou texto.
 
Passo 2
 
Englobar em si o significado das quatro nobres verdades que são:
Vida significa sofrimento
A origem do sofrimento é o apego
A cessação do sofrimento é atingível
O caminho para a cessação do sofrimento é o desapego
 
Passo 3
 
Mentalizar e apreender o Nobre Caminho Óctuplo:
Sabedoria
Compreensão correta
Pensamento correto
Conduta Ética
Fala correta
Acção correta
Meio de vida correto
Desenvolvimento Mental
Esforço correto
Atenção correta
Concentração correta
 
Passo 4
 
Dukkha. A Primeira Nobre Verdade. Algo que faz é uma das essências do universo, causado pela impermanência e pela inexistência de um “eu” permanente e imutável no que concerne à composição do universo. Se há algo que Buda deixou como ensinamento, é de que nós iremos passar pelo denominado ciclo de vida, que iremos passar por momentos menos positivos, que não dão qualquer tipo de satisfação e que nos poderá inclusive trazer sofrimento a nossa vida. A maneira como lidamos com esse tipo de momentos, revelara muito de nós. 
 
Passo 5
 
Sentir os seus ensinamentos na plenitude. É importante saber a relevância das 4 Nobres Verdades e do Caminho Óctuplo, mas saber que os ensinamentos não estão apenas limitados a isso. Que há muito mais para aprender, absorver e cultivar. Se ler é conhecimento, apreender conhecimento puro do Budismo é sem dúvida plantar mais conhecimento verdadeiro, espiritual e iluminado em nós. E tudo o que nos ilumina o ser, faz de nós seres de energia e luz, que espalha essa magia por onde quer que passe.
 
 
Passo 6
 
 
Dar a conhecer ao seu interior o poder da Meditação. A Meditação liberta a nossa mente de todas as preocupações, ajudar a focar no actual momento, na importância do instante em que estamos de modo a podermos alcançar sem qualquer tipo de problemas a paz interior que necessitamos enquanto pessoas. E não esquecer que nem todos meditam de maneira igual, cada um atinge a sua paz da sua própria forma. E que o importante é estabelecer uma rotina de modo a termos um espaço e um tempo apropriadamente para essa importante acção.
 
 
Passo 7
 
Entender o que é Karma e Samsara ( Reencarnação ) . Compreender que o Karma é o que faz compreender o sentido das nossas acções. Se determinada acção é positiva, negativa ou neutra. Ao produzirmos Karma, os seres de luz que somos, ficam aprisionados num círculo quase que vicioso, chamado de samsara ( ciclo de reencarnações : Nascimento, Sofrimento, Morte e Renascimento). Parafraseando um ensinamento negativo para melhor entender: “Para todo o evento que ocorre, seguirá um outro evento cuja existência foi causa pelo primeiro, e este segundo evento poderá ser agradável ou desagradável se a sua causa foi caridosa ou benéfica. E ao compreendermos isto, compreendemos que o ciclo de reencarnações ( samsara ), esse estado de sofrimento meio confuso e não muito esclarecido, tem de ser evitado. Só quando atingirmos um estado de paz total e incondicional, é que “fintamos” o Samsara, atingindo o Nirvana, o estado de libertação de todo o sofrimento que possuímos. Nunca confundir o Nirvana, a “libertação”, com o Bodhi. O Bodhi é o estado de despertar de clareza e de espírito. É estar em completa sintonia e consonância com o universo que nos rodeia, proporcionando uma interacção completa, e fazendo ascender a uma consciência elevadíssima e uma magnifica luz sem precedentes.
 
 
Passo 8
 
 
Analisar verdadeiramente qual dos caminhos do Budismo que acha que se identifica mais e seguir esse caminho. Seja  o Budismo Theradava, Mahayana e Vajrayana. E o que nos revela cada uma dessas vertentes ?
 

Budismo Theravada

 
É a Escola mais antiga, sendo que Theravada significa isso mesmo “Doutrina dos Sábios”, como que a dar o o cunho da importância e relevância que tem devido à sua antiguidade. Tanto que os seus textos anda são em pali, o idioma original. O Budismo Theravada, é sem dúvida, o mais “fundamentalista”, ( sem ter conotação negativa ), conservadorista e tradicionalista vertente do Budismo. Segue literalmente à risca os ensinamentos que Buda transmitiu há mais de 2 mil anos, não havendo qualquer discussão sobre alterações ou outras visões sobre esses mesmo ensinamentos. Na sua essência, apenas aquele que seja digno de coração, puro de alma, livres de tudo aquilo que é errado aos seus olhos, consegue atingir o estado de libertação, o Nirvana.
 
Budismo Mahayana
 
É a primeira adaptação do Budismo ao Homem. Passaram-se mais de 4 mil anos do aparecimento da primeira forma do Budismo, Theravada, para surgir outra escola de ensinamento, outra forma de ver os mesmos ensinamentos. Mahayana, significa o “grande veículo”. Revela-se importante no conceito de “ajuda e preocupação ao próximo”, o que faz completamente sentido, visto o seu objectivo ser a completa salvação e iluminação da humanidade em si. Nesta filosofia, acredita-se que os seres de luz e iluminados ( Chamados Budas ), podem de facto, existir ao mesmo tempo. Tem dois sub-ramos, sub-vertentes por assim dizer, nomeadamente a  Zen, que dá extrema importância à prática meditativa, e Escola Terra Pura, cuja prática de devoção é dirigida ao Buda da Luz Infinita. 
 
Budismo Vajrayana
Derivada do Budismo Mahayana, Vajrayana significa “Veículo de Diamante”. A essência e razão de ser do Budismo Vajrayana é o reconhecimento do conceito de que não haja nenhum ser humano que não seja capaz de alcançar o  que todo e atingir o estado budíco (tornar-se Buda) e entrar numa profunda compreensão e compromisso com a beleza e perfeição únicas com a Natureza. comunhão total com a perfeição que há na natureza. Tal como o Budismo Mahayana, também possui uma sub-vertente, que neste caso se divide em sub-vertente por si mesmo, ou seja o Budismo Tibetano, divide-se em Nyingma (A Escola Antiga), Kagyu (Transmissão Oral), Gelug (Terra de Cor Cinza) e Sakya (Virtuosos).
 
 
Passo 9
 
Aplicar os ensinamentos do Buda.
 
Não basta apenas “pregar” que é Budista ou seguidor do Budismo. Tem de se aplicar todos os dias, em todos os instantes da nossa vida, tudo aquilo que humildemente aceitamos como sendo ensinamentos importantes e relevantes tanto na nossa vida, como na iluminação do nosso ser. Não contrariar, adaptar ou menosprezar esses ensinamentos. Fazer deles um apoio para suplantarmos nós mesmos e a evitar obstáculos no nosso caminho. Fazer com que realmente sejamos merecedores de estar à altura desses ensinamentos, como pessoas de bem e seres de luz nós somos ou pretendemos ser.
 
 

 

São pequenos passos para algo muito maior que nós. Mas passos importantes. E quem tem vontade de absorver este conhecimento, de se iluminar e iluminar outros, tem de ser fiel a si mesmo e ao que absorve. Mas também convém esclarecer certos aspectos importantes de se saberem e dos mitos, que são associados ao Budismo e que nem sempre correspondem à verdade. O Budismo, pelo menos para mim, é mais uma Filosofia do que uma Religião. Buda nunca pretendeu ser um Deus e por isso, apesar de se dar o destaque merecedor da nossa dedicação e aplicação a Buda, tal não pode ser visto como uma relação com uma “divindade”. Poderá ser blasfémia para alguns, mas convém desmistificar esta questão, em parte, pelo nosso país ser de cultura cristã como já foi mencionado e não termos com isto de desligarmos dos antigos ensinamentos enraízados, ou deixar de ter ligação às pessoas relacionados com essa cultura. Temos é de ter sempre a mente aberta de modo a termos sempre o cuidado de não misturarmos ambas as matérias. Evitar conflitos e fazer ver o lado positivo que temos a oferecer sobre aquilo em que acreditamos. Uma pessoa que pratique actos maldosos não pode aspirar a ser seguidor desta filosofia de vida, pois “Não praticar o mal” é como que uma regra de ouro que nunca deverá ser quebrada. Outra regra de ouro, por assim dizer, não assumida, mas que definitivamente tem de estar enraízada, é de sermos seres simpáticos e gentis com todos, porque todos independemente das suas acções são nossos semelhantes, ou seja, não somos nem mais nem menos que ninguém. O vegetarianismo não é obrigatório, mas matar um animal, sem ter intenção de consumir a oferta sagrada que é o seu sacríficio é considerado por mim, muito grave. Uma maneira de equilibrar a balança é dedicar o seu tempo livre à prática de voluntariado seja social, ou animal. A generosidade, dedicação e sentimentos positivos que poderemos dar, iria não só reforçar o “Dana”, ( o acto de generosidade ), bem como é recompensante e enriquecedor ajudar quem precisa , especialmente os animais, que muitas das vezes não teem que os defenda. Há vícios saudáveis, mas todos aqueles que nos dão sofrimento, como drogas, alcool e jogo, devem ser abstidos, pois é nossa cruzada superar o sofrimento proporcionado por este tipo de situações, tal como actos de roubar, mentir, ou ter relações sexuais só para prejudicar quem nos rodeia, igualmente nos retira a luz. Conquistar o ódio e deixar a humildade ser parte de nós. Conquistarmos o ódio, saber domina-lo, não deixar que nos controle é meio caminho andado para a nossa paz, tal como ser humilde, pois todos somos iguais, ser igualmente fundamental. Sabermos pensar em nós e nos outros, sem centrarmo-nos na nossa pessoa, tem um factor de influência positiva.
 
E é isto que eu vos queria transmitir. Não me considero um Mestre, Guru ou Detentor da Verdade. Dei a minha visão e espero que vos tenha sido útil.
 
Grato pela vossa paciência.
 
Namastê
 
Paulo César
 

 

E-mail: PauloCesar@PauloCesar.co