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Novo Ano Tibetano – Mensagem | Dzongsar Rinpoche

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Saudações a todos os que estão celebrando o Ano Novo do Macaco.

Vamos confiar no Buda, Dharma e Sangha( as três jóias do budismo), e vamos confiar na lei de causa, condição e efeito. Se nós confiarmos em Buda, Dharma e Sangha, permanecemos budistas ainda que joguemos mahjong, comamos carne, bebamos álcool ou fumemos um cigarro atrás do outro.

Vamos ser gentis e atenciosos. Queremos que as outras pessoas sejam gentis connosco? Bem, outras pessoas também gostam de que as tratemos com gentileza.

Sejamos generosos, e não apenas com dinheiro ou diamantes, mas com o nosso tempo, espaço e informações.

E vamos sempre lembrar as palavras do Buda de que esforços no samsara(ciclos de nascimentos e mortes) nunca acabam e são, na maioria, infrutíferos. Então, não vamos salientar que tudo precisa ser completado. Nunca sabemos o que vai acontecer na próxima hora. Por isso, vamos tirar o máximo proveito desta hora e deste momento. Se temos uma xícara de chá agora, vamos tê-lo como se fosse o último nesta vida.

Queremos ser ricos? Então vamos aprender a ter conteúdo.

Queremos ser elegante e bonitos? Então, vamos ser educados, confiantes, ao invés e de achar que Versace e Dolce & Gabbana vão fazer isso por nós.

Queremos que as outras pessoas nos escutem? Então, vamos tentar não usar palavras duras, e vamos começar a nossa conversa com um sorriso.

Queremos que a nossa próxima geração seja feliz e bem sucedida? Então, vamos ensinar-lhes um significado diferente de ambição, riqueza e objectivos:
• Não vamos estragar os nossos filhos, porque se o fizermos, eles vão crescer se sentindo alienados e deprimidos.
• Não vamos incitá-los a crescer depressa.
• Não façamos nossas crianças pensar que ganhar uma competição é tão importante.
• Vamos tentar comer em casa pelo menos uma vez por semana.
• E não vamos exagerar nas compras e encher as nossas casas com coisas que nunca vamos usar durante anos e, eventualmente, descartar.

Mas acima de tudo, pais, vamos fazer o que ensinamos. Não podemos ensinar nossos filhos a serem educados, gentis e simpáticos apenas com palavras. Nós temos que nos comportar assim. Mesmo com coisas aparentemente sem importância como não falar alto em público ou no telefone e furar uma fila. Assim como queremos que os outros não nos façam isso, eles também não querem que nós façamos a eles.

E vamos aprender a fazer coisas espontâneas, sem planeamento, por, pelo menos, uma ou duas horas uma vez por semana, porque mesmo planear férias pode se tornar uma actividade stressante, ao invés de um verdadeiro feriado.

Mais importante ainda, vamos nos lembrar não apenas de ler essas coisas, mas fazê-las em diante neste Ano do Macaco.

E cada vez que nos encontrarmos fazendo uma ou mais dessas coisas, então vamos  recompensarmo-nos com uma pequena sesta, uma música, a leitura de uma ou duas páginas de um bom livro, dizendo a nós mesmos que, “com esses primeiros passos, eu posso tornar-me num destemido servo de todos os seres sencientes.

O Que Te Faz Ser Budista ? |Dzongsar Khyentse Rinpoche

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Agora que o budismo está florescendo no Ocidente, ouço falar de pessoas que estão alterando os ensinamentos budistas para enquadrá-las na forma de pensar dos tempos modernos. Se há algo a ser adaptado, são os rituais e símbolos, não a verdade em si. O próprio Buda afirmou que a sua disciplina e métodos deveriam ser adaptados, de modo apropriado, a diferentes épocas e lugares. Mas as quatro verdades não precisam ser actualizadas nem modificadas; de qualquer modo, seria impossível fazê-lo. Pode-se trocar a xícara, mas o chá permanece puro. Depois de sobreviver por 2.500 anos e viajar 12.430.059 metros desde a árvore bodhi, na Índia central, até Times Square, em Nova York, o conceito “todas as coisas compostas são impermanentes” continua a aplicar-se. A impermanência continua a ser impermanência na Times Square. Não há como torcer essas quatro regras; não há excepções sociais ou culturais.

Diferentemente de algumas religiões, o budismo não é um kit de sobrevivência para a vida, que dita quantos maridos uma mulher deve ter, onde pagar impostos ou como punir os ladrões. Na verdade, os budistas a rigor, não têm um ritual para cerimónia do casamento. O propósito do ensinamento de Sidarta não foi dizer às pessoas aquilo que elas queriam ouvir. Ele ensinou movido pelo forte impulso de libertá-las das suas concepções equivocadas e da sua infindável falta de compreensão da verdade. Entretanto, para explicar essas verdades de modo eficaz, Sidarta ensinou por diferentes modos e meios, de acordo com a necessidade de suas diferentes plateias. Essas diferentes formas de ensinamento são hoje rotuladas como as diferentes “escolas” do budismo. A visão fundamental de todas as escolas, porém, é a mesma.

O grande Nagarjuna escreveu que o Senhor Buda não afirmou que após abandonar o samsara existe o nirvana. A não existência do Samsara é o nirvana. Uma faca é afiada num processo em que duas coisas se chocam: a pedra de amolar e o metal. Do mesmo modo, a iluminação é resultado da exaustão dos obscurecimentos e da exaustão dos antídotos dos obscurecimentos. Ao final, o caminho da Iluminação terá de ser abandonado. Se você ainda se define como budista, ainda não é um Buda.

Dzongsar Jamyang Khyentse — Excerto do livro  “O Que Te Faz Ser Budista?”