Tag Archive | Eu

A mente livre e o mito do eu | Dzogchen Ponlop Rinpoche

maxresdefault-589x331

Quando Buda ensinou sobre essa natureza impermanente e composta (ou agrupada) da mente relativa, ele o fez com o objectivo de apresentar aos seus discípulos a natureza última da mente: a consciência imutável, pura e não fabricada. Aqui, o budismo separa-se radicalmente de conceitos teológicos, como pecado original, que vêem a humanidade como espiritualmente maculada por alguma violação herdada da lei divina. A visão budista afirma que a natureza de todos os seres é primordialmente pura e plena de qualidades positivas. Quando acordamos o suficiente ao ponto de ver além da nossa confusão, percebemos que mesmo os nossos pensamentos e emoções problemáticos são, no fundo, parte dessa consciência pura.

Reconhecer isso leva-nos naturalmente a uma experiência de relaxamento, alegria e humor. Já que tudo o que vivenciamos no nível relativo é ilusório, não precisamos levar nada tão a sério. Do ponto de vista do estado último, é como um sonho lúcido, a vivida brincadeira da própria mente. Quando estamos despertos no meio de um sonho, não levamos nada do que ocorre no sonho muito a sério. É como dar uma volta nas atracções do Disney World. Um brinquedo leva-nos até o céu nocturno, onde vemo-nos rodeados de estrelas, com as luzes de uma cidade lá em baixo. É muito bonito e cativa-nos demais, mas nunca tomamos como sendo real. E, quando entramos na casa assombrada, fantasmas, esqueletos e monstros podem surpreender-nos por um instante ou por um pouco mais de tempo, mas eles também são engraçados, porque sabemos que nada disso é de verdade.

Da mesma forma, quando descobrimos a verdadeira natureza da nossa mente, somos libertados de uma ansiedade fundamental, uma sensação básica de medo e preocupação sobre aparências e experiências da vida. A verdadeira natureza da mente diz: “Porque entrar em stress? Relaxe e sinta-se bem consigo mesmo.” A escolha é nossa, a não ser que tenhamos uma tendência extraordinariamente forte de lutar o tempo todo. Desse modo, até mesmo o Disney World se torna num local horrível. E isso também é escolha nossa. O nosso mundo moderno é cheio de opções: onde quer que estejamos, podemos escolher uma forma ou outra.

Muitas pessoas perguntam como é esse tipo de consciência. Seria a experiência dessa natureza verdadeira semelhante à de se tornar um vegetal, entrar em coma ou sofrer de Alzheimer? Não. De facto, não é nada disso. A nossa mente relativa passa a funcionar melhor. Quando damos uma folga para o nosso hábito constante de rotular, o mundo torna-se límpido. Ficamos livres para ver com clareza; pensar com clareza e sentir a qualidade viva e desperta das nossas emoções. A abertura, a amplidão da experiência fazem com que este seja um local muito bonito de se viver. Imagine-se no pico de uma montanha olhando para o mundo em todas as direcções, sem obstruções. É a isso que chamamos de experiência da natureza da mente.

O mito do eu

Imagine que olhamos para a nossa mão, certo dia, e reparamos que ela está fechada, formando um punho. Está segurando algo tão vital que não conseguimos largar. O punho está tão fechado que a mão chega a doer. A dor na mão viaja até o braço e a tensão espalha-se pelo corpo. E isso segue por anos a fio. Às vezes, tentamos tomar uma aspirina, assistir à televisão ou saltar de para-quedas. A vida segue, um dia esquecemos o que era tão importante e, então, a mão se abre: não há nada ali. Imagine a surpresa.

O Buda ensinou que a causa raiz do nosso sofrimento — a ignorância — é o que dá surgimento a essa tendência de agarrar. A questão que deveríamos nos colocar é: “A que estou me agarrando?” Deveríamos olhar bem fundo esse processo, para ver se realmente há algo ali. De acordo com Buda, estamos nos agarrando a um mito. É só um pensamento que repete “eu” tantas vezes que cria um eu ilusório, tal como um holograma que tomamos por sólido e real. A cada pensamento, a cada emoção, esse “eu” aparece como o pensador e também como aquele que vivencia, e ainda assim é apenas outra fabricação da mente. É um hábito muito antigo, tão enraizado que esse próprio agarrar torna-se também ele próprio parte da nossa identidade. Se não estivéssemos nos agarrando a esse pensamento de eu, poderíamos sentir que algo muito familiar — como um amigo próximo — está faltando e, assim, uma dor crónica repentinamente desapareceria.

Como se segurássemos um objecto imaginário, o nosso agarrar ao eu, não nos ajuda muito. Ele apenas dá-nos dores de cabeça e úlceras, e logo desenvolvemos muitos outros tipos de sofrimento com base nele. Esse “eu” passa a defender a todo custo os próprios interesses, porque imediatamente percebe um “outro”. E, no instante em que temos o pensamento de “eu” e “outro”, o drama de “nós” e “eles” se desenvolve. Tudo acontece num piscar de olhos: agarramos o lado do “eu” e decidimos se o “outro” está a nosso favor, contra nós ou se não faz diferença. Enfim, estabelecemos as nossas intenções: com relação a um objecto, sentimos desejo e o queremos atrair; com relação a outro, sentimos medo e hostilidade e o queremos repelir; e com relação a mais um outro objecto, somos indiferentes ou apenas o ignoramos. Dessa forma, o nascimento das nossas emoções e dos nossos julgamentos neuróticos é resultado de nosso agarrar ao “eu” e ao “meu”. No fim, não estamos livres nem mesmo frente aos nossos próprios julgamentos. Admiramos algumas de nossas qualidades e logo nos inflamamos todos, desdenhamos outras qualidades e logo criticamos a nós mesmos, e assim ignoramos boa parte da dor que realmente sentimos, totalmente engajados nessa luta interna para sermos felizes com quem somos.

Por que persistimos nisso, quando nos sentiríamos tão melhor e mais relaxados se simplesmente soltássemos? A verdadeira natureza da nossa mente está sempre presente, mas, por não vê-la, acabamos nos apegando ao que conseguimos ver e tentando fazer dela algo que não é. Complicações desse tipo parecem ser o único jeito que o ego tem para manter-se, isto é, criando um labirinto ou uma sala de espelhos para nos confundir. A nossa mente neurótica torna-se tão revolta e enredada que fica difícil para nós rastrearmos o que ela está fazendo. Investimos nesse grande esforço apenas para nos convencer de que encontramos algo sólido dentro da natureza insubstancial da nossa mente: uma entidade separada e permanente — algo que podemos chamar de “eu”. Ainda assim, ao fazer isso, estamos indo na contra-mão da verdadeira natureza das coisas, da realidade. Estamos tentando congelar a experiência, criar algo sólido, tangível e estável com algo que não tem essa natureza. É como pedir ao espaço que ele torne-se terra ou para a água que se torne fogo. Pensamos que abandonar esse pensamento de um “eu” é uma loucura, pensamos que a nossa vida depende desse pensamento. Mas, na verdade, a nossa liberdade depende de nós o abandonarmos.

7 Maneiras de viver o nosso Verdadeiro “Eu”.

Portrait of young woman on the beach

Se sente uma desconexão com quem é, e com o que a sua vida parece. Mostra ao mundo uma pessoa, mas sabendo que há uma diferente por de dentro, esperando para sair e ser visto. Está pronto para se tornar nessa pessoa, o seu verdadeiro eu, e está querendo saber como fazê-lo. Aqui vai encontrar sete maneiras de ajudá-lo a identificar o seu verdadeiro eu e ajudá-lo a fazer a transição para tornar-se e viver como o seu verdadeiro eu mais fácil.

Ouça a sua voz interior

Ouvir a sua voz interior irá ajudá-lo a tornar-se ciente e identificar o seu auto verdadeiro com honestidade. Ela irá ajudá-lo a fortalecer a sua voz e sobrepor sobre outra voz de qualquer outra pessoa que está a ouvir. Pergunte a si mesmo perguntas e torne-se consciente de como vai responder mentalmente, fisicamente, emocionalmente, espiritualmente e energeticamente, e para o que tem a dizer. Ela irá ajudá-lo a identificar as suas necessidades, gostos, desgostos, desejos, etc., sem julgamentos e restrições e, como resultado ajuda-o naturalmente z começar a viver como o seu verdadeiro eu.

Dê-se a liberdade de ser si mesmo.

Dando-se a liberdade de ser a si mesmo, deixando de ir comparações, rótulos, estado, críticas, cinismo, etc., irá capacitar quem é por dentro e dar-lhe a coragem de realizar. Também irá permitir que aceite a sua singularidade e individualidade, independentemente de se tiver ou não qualquer tipo de apoio ao tornar-se quem sabe que realmente é.

Faça Mudanças

Fazer alterações para permitir que o seu eu interior se  mostrar é uma obrigatório. Fazendo com que você e tudo à sua volta reflicta o que está sentindo por dentro, reforça a liberdade de expressar o seu verdadeiro eu. Capacite-se para fazer as mudanças necessárias para que o seu verdadeiro eu pode actualizar-se. Estas mudanças podem variar da sua aparência física para o seu estilo de vida, e dos seus relacionamentos no seu local de trabalho. Seja ousado, assuma a responsabilidade e rompa qualquer medo de ir além de sua zona de conforto.

Comprometa-se com suas escolhas e decisões

Comprometendo-se com as suas escolhas e decisões reforça o valor por detrás de quem  é. Valida a crença e confiança que tem para si mesmo, especialmente uma vez que a dúvida ou a  incerteza surgirem. Ajuda-o a confiar na sua escolha inicial e da decisão de se tornar o seu verdadeiro eu e viver como o seu verdadeiro eu, tornando mais fácil para avançar e ajustar ao seu novo normal.

Aprenda a confiar em si mesmo

Confiar em si é uma necessidade em se tornar no seu verdadeiro eu e viver como o seu verdadeiro eu. Haverá momentos em que está em pé no meio de uma multidão ou quando está indo contra a norma por causa de quem  é ou o que quer. Nesses momentos, confiar em si mesmo lhe dará a força de vontade e a coragem,  com qualquer outra força que pode precisar, para continuar a perseguir o que está no seu coração.

Experimente coisas novas

Tentar coisas novas, vai ajudá-lo a ser capaz de saber se algo funciona ou não para si, em vez de apenas se ir perguntando ou assumindo. Há algumas coisas que pode sentir-se estar incerto. Pode até sentir-se incerto sobre se vai ou não funcionar consigo, mas se houver qualquer desejo ou curiosidade, incentivar-se a, pelo menos, a experimentá-lo. Às vezes, se algo não está funcionando para si, tentar algo novo pode ser o que precisa para redirecioná-lo para o caminho da felicidade.

Prepare-se para o Sucesso

Definindo-se para o sucesso e aproximando-se  dessa transição, e tudo o mais que  se deparar na vida, com  uma perspectiva de sucesso irá prepará-lo para exactamente isso. Ele irá ajudá-lo a adaptar-se a uma atitude optimista e ajudá-lo a tornar-se uma pessoa que sempre encontra uma solução em vez de uma pessoa que inventa desculpas. Esperando o sucesso também permite que siga a sua felicidade, que está totalmente alinhado com o seu verdadeiro eu. E quando está alinhado com o seu verdadeiro eu, fazes naturalmente, fazes o que precisas, para viver o seu verdadeiro eu.

 

Trocando o “Eu” pelos Outros.

2165330073_a4aa51134d_o

Segundo o Budismo, para sermos felizes, temos de desenvolver um genuíno sentimento de amor pelos outros: temos de ser capazes de amá-los. Aquilo que faz com que tenhamos amor pelos outros vem dos deuses, e nos transforma em deuses. Este pensamento, este sentimento – o de amor pelos outros – é a porta que abre a prática Mahayana (*1).

Todo sofrimento que experimentamos tem uma causa: e esta causa reside no pensamento egoísta, no pensamento de se preservar a si mesmo, de só pensar em si mesmo, de tirar vantagem para si, proveito para si mesmo em tudo e com tudo. Ou seja, só pensar em si mesmo, o tempo todo. O nosso real inimigo é esse tipo de carinho por si mesmo, de cuidado de si, de auto-compaixão. Ou seja, o pensamento que diz sempre: “eu podia ter conseguido isso para mim”, “isso me aconteceu”, “fizeram isso comigo”, “o que há de errado comigo?”, “por que isso só acontece comigo?” Esse é o tipo de pensamento que gera a infelicidade: o de pensar em si mesmo.

Devemos desprezar o pensamento que pensa em si mesmo, abandonar esse tipo de pensamento, desprezar a ideia de cuidar de si e nos dedicar inteiramente em pensar nos outros.

Não se trata de desprezar-nos a si mesmo, julgando-nos inferior: muito ao contrario, devemos desenvolver uma imensa autoconfiança na nossa capacidade de ir em socorro dos outros, de ser deles a salvação e o amparo.

Temos de realizar um treino constante para reverter a nossa tendência actual e dedicarmo-nos a pensar exclusivamente nos outros, esquecendo-nos de nós mesmos. Podemos começar pelas pequenas coisas, como anular as nossas reacções de resposta às agressividades do outro para connosco, quando o outro se encontra sob o poder dominador das aflições mentais. Em vez de reagir, em vez de gerar ódio e negatividade, quando atacados, devemos tentar anular-nos como pessoas, tornar-nos “vazios”, como sujeito zero, de tal forma que não haverá “alguém” ali para ser ofendido ou atacado, ou não haverá ninguém.

Isto a princípio parecerá muito difícil, como tudo que a princípio aprendemos, mas depois poderá nos parecer familiar. Podemos até sentir ódio, mas não demonstramos, mas anulamos imediatamente este ódio-resposta, de forma que aos pouco vamo-nos tornando mestres de nós mesmos e das nossas reacções. Todos os nossos problemas derivam de nós nos prezarmos demais, de pensarmos muito em nós mesmos, de estimarmo-nos demais a nós mesmos. Alimentamos este pensamento há muito tempo, há muitas vidas, que é o pensamento instintivo de preservação.

Todos os Budas praticaram este treinamento de trocar o si-próprio pelos outros. Todos os Bodisatvas (*2) também realizaram isso. Eles continuam fazem isto: o cuidado para com os outros. Incontáveis vidas o Bodisatva praticou assim, antes de se tornar um Budha. E é muito importante ver e entusiasmar-se com os exemplos dos grandes Mestres que praticaram antes de nós: ou seja, não se importar com o que acontece ou acontecerá connosco mesmos, e sim com os demais. Não se dar muito valor… e ao mesmo tempo se considerar com a responsabilidade universal de assegurar o bem-estar do mundo. Este pensamento nos transforma num Deus, nos transformará num Buda.

Só depois de aumentarmos e fortalecermos o pensamento de preocupação com os outros e despreocupação connosco mesmo é que começamos a trocarmo-nos pelos outros. Por exemplo, se dermos toda a nossa comida para os outros, sem nos importarmos connosco mesmo. Devemos começar pelas coisas mais simples, como ceder a vez numa fila, ou dar o seu lugar no autocarro. Devemos aprender a dedicarmo-nos aos outros nos mínimos gestos, por exemplo, distribuindo sorriso e afecto genuíno. Mesmos os animais sentem quando nos aproximamos deles com afecto, com amor, com alegria de vê-lo, de encontrá-lo. Agradar os outros acumula muito mérito e nos leva à Iluminação.

Agradar aos outros acumula tudo que é positividade, acumula amigos e riqueza, felicidade e segurança. Agradar aos outros com genuíno amor nos leva a galgar os mais altos degraus da posição social.

É pela análise, é pela observação racional e minuciosa que podemos nos convencer das imensas vantagens que afinal colhemos pela prática de anularmos os nossos interesses e dedicarmo-nos ao amor genuíno e verdadeiro aos demais. São imensos os frutos, espirituais e materiais.

O egoísmo, tentando engrandecer o “eu”, contraditoriamente é o principal inimigo do “eu”. Quem se sente só, quem se sente isolado, é devido ao egoísmo que se sente só e isolado. Quem se dedica aos demais, quem se dá aos demais, tem muitos amigos, atrai muitos amigos. Esta pessoa passa a ser respeitada e amada por todos, pelos homens e deuses. Até pelos animais. A bondade é algo que se irradia e atinge os outros, e é algo que faz bem aos outros, que os outros sentem.

É por esta prática que se começa a desenvolver a chamada bodhicita, ou mente de iluminação. A Bodhicita é o desejo de atingir o estado de Buda pelo bem de todos os seres. A Bodhicita é amor e compaixão. Amor se define pelo desejo de que o outro seja feliz. Compaixão se define pelo desejo de que o outro se liberte do sofrimento.

Algumas pessoas têm muito valor, muito saber, mas não são reconhecidas porque não desenvolveram a Bodhicita. Porque são egoístas. E como são egoístas, acumulam negatividades, geram negatividades e atraem negatividades para si. As pessoas egoístas não têm muitos amigos. Ao contrário, têm inimigos. Assim, o egoísta não consegue ajuda e socorro quando precisa, quando encontram problemas.

A nossa sociedade moderna se fundamenta no contrário, se baseia no egoísmo, no narcisismo. Por isso há muito sofrimento. O egoísmo gera ódio, o ódio é a raiz da guerra. Ao contrário, a nossa mente deve voltar-se para a maioria, para fora. Pensar na maioria nos faz crescer, como heróis. Por isso os Bodhisatvas são conhecidos como heróis.

Pensar no mundo, na humanidade, sem ilusões, sem fantasia, mas começando pelos mais próximos – isto nos faz crescer, aumenta a nossa capacidade de amar e de nos libertar a nós mesmos e aos outros.

Por isso devemos nos concentrar em pensar constantemente nos outros e não no nosso egoístico eu. Um dos modos de treinamento é o esforço por desenvolver a equanimidade. Com equanimidade nós não fazemos diferença entre eu e tu, entre amigos e inimigos, entre familiares e estranhos. Assim vemos que todos, como nós, querem a felicidade. E como nós também os outros buscam isso de diferentes maneiras. Nós também desenvolvemos a troca do eu pelos outros pelo raciocínio. Como nós, os outros também não querem o sofrimento, mas querem a felicidade.
É quando pensamos muito pouco em nós mesmos, e o tempo todo nos outros, que desenvolvemos a troca pelos outros, o trocar-se pelos outros.

O forte pensamento, o forte sentimento de beneficiar os outros, de que os outros estejam bem, é isso que se chama trocar a si pelos outros. É fazer surgir esse tipo de mente búdica, de mente de bodichita. Se o nosso trabalho, se a nossa mente for toda dirigida para o benefício dos outros nós seremos os principais beneficiados de nós mesmos e dos outros. Nós seremos incluídos.Aquilo que plantamos, colhemos. Quando plantamos para os outros, a riqueza vem abundante, automaticamente.

Quando só pensamos nisto, minuto a minuto, nós trocamo-nos pelos outros. É esse treinamento da mente a prática mais sagrada. Quando dominamos essa técnica conseguimos gerar compaixão espontânea, amor espontâneo.

A partir daí passamos a dar a nossa felicidade, e assumir o sofrimento dos outros. A compaixão é o insuportável sentimento de dor pelo sofrimento do outro. Os Budas são feitos da matéria da compaixão. Lentamente progredimos da pequena para a grande compaixão. Praticando diariamente.

Como o nosso tempo é da era degenerada, só investe nesta prática os heróis, ou seja, temos de ter coragem e constância. O esforço é necessário para atingir a experiência. Fazemos a seguinte promessa: “Eu tomo a responsabilidade de libertar a todos esses seres do sofrimento”.

(*1) – Um dos ramos do Budismo.

(*2) – Ser Iluminado

(*3) – Mente iluminada

Autor: Geshe Lobsang Tenpa

 

 

A Solidão é a Doença do Ser do nosso Tempo.

Thich-Nhat-Hanh-UK-2012-_142-crop2

“A solidão é o ser doente do nosso tempo. Nós sentimo-nos muito sozinhos, mesmo estando rodeados de muitas pessoas. Estamos sozinhos juntos. Há um vácuo dentro de nós e não sentimo-nos confortáveis com esse tipo de vácuo, então tentamos preenchê-lo através da ligação com outras pessoas. Acreditamos que quando nos ligamos com outras pessoas o sentimento de solidão vai desaparecer. E a tecnologia nos providencia vários mecanismos para nos ligarmos, para nos mantermos ligados, e nós nos mantemos ligados mas continuamos a sentirmo-nos sozinhos. Nós verificamos emails várias vezes ao dia, nós enviamos emails várias vezes ao dia, nós publicamos mensagens diversas vezes no dia, queremos partilhar o que vemos, e estamos ocupados, ficamos ocupados o dia todo para nos ligarmos, mas isso não ajuda, não reduz a quantidade de solidão em nós. Isso é o que acontece neste momento na nossa moderna civilização. O nosso relacionamento não está bem. Não estamos num bom relacionamento com o nosso parceiro, com o nosso irmão, com a nossa irmã, com os nossos pais, com a nossa sociedade. Nos sentimos muito sozinhos, e temos usado a tecnologia para tentar dissipar esse sentimento de  solidão, mas não conseguimos. Na tradição da Plum Village*, cada vez que nos sentamos no nosso lugar, é para ligarmos com nós mesmos, porque na nossa própria vida estamos desligados de nós mesmos. Nós andamos e não sabemos que estamos andando, estamos lá mas não sabemos que estamos lá, estamos vivos mas não sabemos que estamos vivos. Estamos perdendo-nos de nós mesmos, não somos nós mesmos. E isso está acontecendo quase o dia inteiro. Por isso o acto de sentar é um acto de revolução. Quando se senta, corta esse estado de estar perdido e de não ser quem é mesmo, e quando se senta, se liga consigo mesmo. Não precisa um iphone ou de um computador para fazer isso. Só precisa se sentar conscientemente e respirar, conscientemente. E em apenas alguns segundos, liga-se consigo mesmo e sabe o que se está passando. O que se está passando no seu corpo, o que se está passando nos seus sentimentos, nas suas emoções, o que se está passando com as suas percepções e assim por diante. Já está em casa. ”

*Plum Village – Comunidade Espiritual fundada por Thich Nhat Tanh
Autor: Thich Nhat Tanh, “A Solidão é a Doença do Ser do Nosso Tempo”

Um lugar que faz eco – Osho

46

 

O Amor não deveria ser exigente,senão, ele perde as asas e não pode voar, torna-se enraizado na terra e fica muito mundano.Então ele é sensualidade e traz grande infelicidade e sofrimento. O amor não deveria ser condicional, nada se deveria esperar dele. ele deveria estar presente, por estar presente, e não por alguma recompensa, e não por algum resultado. Se houver algum motivo nele, novamente o seu amor não poderá se tornar o céu. Ele está confinado ao motivo, o motivo torna-se a sua definição, a sua fronteira. Um amor não motivado não tem fronteiras: É a fragrância do coração. E o facto de não haver desejo de algum resultado não quer dizer que não haja resultados. Há sim, e eles acontecem mil vezes mais, porque tudo o que damos ao mundo retorna e ressoa. O mundo é um lugar que faz eco. Se atirarmos raiva voltará; se dermos amor, o amor voltará. Mas, esse é um fenómeno natural, e não precisamos pensar sobre ele. Podemos confiar: isso acontece por si mesmo. Esta é a lei do Karma: Tudo o que semeia, colhe; tudo o que dá,  recebe. Assim, não há necessidade de pensar a respeito, é automático. Odeie, e será odiado; ame; e será amado.  É possível amar o mundo inteiro… O amor nunca deveria ser possessivo… Não deveria ser exclusivo, e sim inclusivo…Quando o amor é inclusivo, é capaz de reconhecê-lo como tal… Quando um amor é exclusivo,dedicado exclusivamente a uma pessoa, restringe tanto que acabará matando-o. Você estará destruindo sua infinitude… As pessoas deveriam amar… O amor não deveria ser apenas um relacionamento:deveria ser um estado do ser… E sempre que ama uma pessoa, através dela ama a todos…
Não se preocupe com a perfeição. Substitua a palavra “perfeição” por “totalidade”. Não pense que tem de ser perfeito, pense que tem de ser total. A totalidade da-lhe uma dimensão diferente. Ame algo mais elevado, algo maior, algo no qual se perderá e que não possa controlar; pode ser possuído por ele, mas não pode possuí-lo. Então o ego desaparece, e, quando o amor não tiver ego, ele será prece. Se tinha que ser um dançarino, a vida virá por aquela porta, porque ela pensa que é um dançarino. Ela bate na porta, mas  não está lá; é um bancário. E como a vida vai saber que se tornou um bancário? Deus vem a si da maneira que ele quer que tu sejas; ele conhece apenas aquele endereço. Mas nunca é encontrado lá, está sempre em algum outro lugar, escondendo-se atrás da máscara de alguém que não é, com os trajes de alguém que não és tu, e usando o nome de alguém que não és tu. Como tu espera que Deus possa encontrar-te? Ele segue procurando por si. Ele sabe o seu nome, mas tu abandonaste aquele nome. Ele conhece o seu endereço, mas tu nunca moraste lá. Permitiste que o mundo te desviasse.

Osho

Nós somos o que pensamos.

Imagem

Nós somos o que pensamos.
Tudo o que somos emerge com os nossos pensamentos.
Com os pensamentos fazemos o mundo.
Se falares ou agires com um espírito impuro
Os problemas seguir-te-ão
Como a roda segue o boi que puxa a carroça.

Nós somos o que pensamos.
Tudo o que somos emerge com os nossos pensamentos.
Com os nossos pensamentos fazemos o mundo. 
Se falares ou agires com um espírito puro, a felicidade seguir-te-á
Como a tua sombra, constantemente.
Como pode um espírito perturbado
Compreender o caminho?

O vosso pior inimigo não vos pode magoar
Tanto quanto os vossos pensamentos descontrolados.

Mas uma vez dominados,
Ninguém vos ajudará tanto como eles,
Nem mesmo o vosso pai ou a vossa mãe. 

 

Fonte: Excerto de “Dhammapada” – Tradução Conceição Gomes e Tsering Paldron