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7 Conselhos do Budismo para a Vida Profissional.

Aprenda de que maneira o budismo pode ajudar-te a evitar rumores e comentários, receber um feedback negativo e ainda como reagir à perda do emprego.

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O exemplo é o livro “Buda e o Executivo – lições valiosas da sabedoria budista para a sua carreira, prosperidade e sucesso”. A obra, escrita pelo teólogo Franz Metcalf e pela executiva de negócios BJ Gallagher, traz dicas baseadas em ensinamentos budistas para profissionais de qualquer área.

Com prefácio do Dalai Lama, a obra apresenta lições de liderança, autoestima e qualidade de vida no trabalho. Além disso, trazem ainda questões no trabalho como a forma de se relacionar com colegas, clientes e chefes; de que forma reagir à perda do emprego, evitar conversas e rumores, e até mesmo a maneira mais adequada de reagir a um feedback negativo ou positivo.

Anote as dicas!

Perdeu o emprego recentemente? Uma das noções budistas afirma que as coisas são impermanentes, ou seja, tudo está sempre em processo de mudança e nada é fixo. E, mostram os autores, isso também diz respeito ao seu emprego. “Não leve a coisa para o lado pessoal. Todos os empregos são impermanentes. O seu emprego não é seu e nem de ninguém. Para superar isso cerque-se de amigos e parentes que possam apoiar-lo e estimulá-lo nesses momentos difíceis”, recomendam.

Quer mais? Está com dificuldades de alcançar as suas metas? “A doutrina de Buda diz que devemos manter um foco preciso, como laser sobre nossa visão e objectivo. Ele ensina-nos que focar a atenção na meta desejada e abandonar obstáculos internos é tudo de que precisamos para o sucesso. Direccione a sua mente para as suas metas. Analise quais posturas mentais são boas para si. Adopte-as. Não se distraia com posturas mentais inúteis. Nunca abandone os seus esforços”, explicam Franz Metcalf e BJ Gallagher.

O livro, reforçam os autores, é para pessoas que desejam aplicar a sabedoria budista às situações no trabalho. “O budismo tem proporcionado uma base espiritual há milénios para a vida quotidiana de milhões de pessoas pelo mundo. Mas será que o budismo tem algo a nos oferecer, sejamos budistas ou não, no actual mundo de trabalho? Tem e é o que apresentamos nesse livro”, completam.

Como o Budismo pode ajudar-te a destacar-se no trabalho

Se quer ganhar destaque onde trabalha, segundo o budismo, em primeiro lugar, esqueça a bajulação!

Para ser um bom funcionário comece fazendo um óptimo trabalho. Uma dica é “se levantar” e começar a fazer o que deve ser feito antes mesmo do seu chefe e parar de trabalhar depois dele.

Não há mal nenhum em chegar ao trabalho um pouco antes da hora. Mostrar disposição para ficar um pouco mais, a fim de terminar algumas pendências ou para ajudar um colega, é uma excelente maneira de mostrar que pode ir um pouco mais além.

Como o budismo pode ajudar a evitar rumores e conversas de mal-dizer.

A fala correta, como não mentir, não usar palavras ásperas ou falar em vão, por exemplo, faz parte dos princípios budistas.

Por isso, a especulação inútil e a pura tagarelice no trabalho quase sempre são destrutivas. Num ambiente assim é impossível ter confiança.

Fofocas e rumores criam um clima organizacional onde todos se sentem inseguros. As pessoas comunicam-se com hesitação porque ficam preocupadas com aquilo que possam estar dizendo às suas costas.

Os rumores e a preocupação absorvem um tempo que poderia ser gasto na solução de problemas, no cultivo de novas ideias ou na exploração de novos mercados.

 

Dica budista para alcançar suas metas

A doutrina budista defende que devemos manter um foco preciso, como se fosse um laser sobre a nossa visão e objectivo.

Ela ensina-nos que focalizar a atenção na meta desejada e abandonar obstáculos internos é tudo o que precisamos para o sucesso.

Portanto, direccione a sua mente para as metas desejadas. Analise quais posturas mentais são boas para si e adopte-as.

Não se distraia com posturas mentais inúteis. Não abandone seus esforços se você não alcançar alguma meta profissional.

Lembre-se de que nada é permanente e que esta fase “ruim” vai passar, dando novas chances para realizar os seus objectivos.

Lição budista sobre encontrar um trabalho novo

Mantenha contacto com a sua rede de colegas, amigos e familiares. A interdependência [dependência] é um ensinamento budista tão importante quanto a impermanência [o que não é permanente].

Até os monges precisam de viver em comunidade, em relacionamentos, em parcerias, em ligação com outras pessoas. Quando interage com as outras pessoas faz com que elas saibam da sua situação.

Se quer mudança na carreira, largue o que te faz sentir mal. Siga em frente e procure alguma coisa nova. Fique tentando isso até descobrir o que funciona para si.

O que fazer ao receber um feedback negativo?

Se há uma coisa que a maioria das pessoas não apreciam é uma crítica negativa. Magoa os nossos sentimentos e não estamos preparados para ouvi-la.

Devemos abrir mão desse ego para perceber que há valor em ouvir um feedback dos outros, principalmente quando não pedimos por ele. Se cedermos para a mágoa não vamos aprender com ninguém.

O budismo ensina que, mostrando gratidão, vamos aprender com todo mundo. Se quisermos mesmo ser sábios devemos considerar todos como nossos professores.

As lições mais importantes que precisamos aprender podem vir das fontes mais improváveis. Por isso, ouça com atenção quando alguém der um conselho.

O que fazer quando surgir um conflito com um colega de trabalho?

A paz numa equipa é vital para o bem-estar dos indivíduos e do grupo. Culpar outra pessoa não trará benefício algum e só vai piorar as coisas.

Quando surgir um conflito na equipa, pergunte-se: como foi que eu contribui para esta situação? Se assumir o problema, começa a assumir esta solução.

Pense no que pode fazer para melhorar as coisas, sem se preocupar com que a outra pessoa está fazendo.

Segundo as lições budistas, conflitos são óptimas oportunidades de auto-conhecimento e crescimento interior.

Lição budista para quem perdeu o emprego

Perdeu o emprego? Não leve a coisa para o lado pessoal.

De acordo com o budismo, nada é permanente. Logo, todos os empregos também não são.

Para superar esta fase, cerque-se de amigos e parentes que possam apoiar-te nesse momento. E faça isso por si mesmo.

Lembre-se de que, assim como os empregos vêm e vão, o desemprego também. E, junto com o velho trabalho, abra mão de premissas, limitações e condicionamentos antigos adquiridos no mundo profissional que emperram o seu crescimento.

 

Ensinamentos que vem do Coração | Tarthang Tulku

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Espiritualidade numa almofada confortável num ambiente agradável com aroma de incenso, ou numa silenciosa sala de yoga, é fácil; quero ver encarar oito horas de trabalho (ou mais) nas actuais condições de temperatura e pressão das exigências do mercado. Para isso temos esse precioso texto do lama tibetano Tarthang Tulku Rinpoche, um dos actuais líderes da escola Nyingma de Budismo Tibetano, sobre o Actual empobrecimento de nossa atitude no trabalho, da nossa alienação e o caminho para resgatar a realização através dele – não num futuro longínquo, não depois de uma grande transformação ou algo assim, mas já, aqui, agora, no expediente de amanhã, nas actuais circunstâncias. O texto faz parte do livro “Ensinamentos Que Vem do Coração“, de 2001, publicado pela Editora Dharma, que possui um capítulo inteiro dedicado a “uma nova maneira de trabalhar” – o excerto foi originalmente emitido em Dezembro de 1993.

Não é só uma questão de resolver o “problema” do trabalho, que ocupa tantas horas de nossas vidas às vezes de maneira bem insatisfatória, mas de realmente usá-lo como caminho espiritual, semelhante até mesmo à meditação. O que o trabalho ensina? Como usá-lo espiritualmente? Na verdade, como ele diz, “a escolha de não usar o trabalho como um campo de treinamento não é uma opção real“.

É um tema complexo, talvez por isso a simplicidade que traz Tarthang Tulku seja especialmente valiosa. Todo ambiente tem um determinado tipo de dificuldade “externa”, seja empresa familiar, negócio iniciante, grande corporação, repartição pública, etc. Além da quantidade variável de possíveis problemas, a maioria de nós às vezes se convence quase que irreversivelmente de que não há jeito de se realizar num ambiente assim ou assado. Mas há luz, como nesse texto.

A EXCELÊNCIA DA REALIZAÇÃO NO TRABALHO
do livro “Ensinamentos que vem do coração” (Editora Dharma, 2001), pgs 96, 97, 105
Por Tarthang Tulku

“A maioria das pessoas trabalha basicamente por causa do salário. É certo que o trabalho preenche também outras necessidades: a possibilidade de uma identidade profissional, a aprovação dos outros, uma sensação de domínio e poder, a interacção social e a simples satisfação de manter-se ocupado. O que todas estas recompensas têm em comum é que são extrínsecas ao processo do trabalho em si. Trabalhamos para realizar metas específicas, mas raramente encontramos valor no próprio processo de trabalhar.

Esta maneira de trabalhar gera empobrecimento num nível muito profundo. Quando o trabalho como uma actividade não é valorizado por si, raramente trabalhamos com real satisfação ou com um sentido de profunda realização. Momentos como estes existem, mas logo passam, ficando apenas a lembrança de um bem-estar.

(…) Quando trabalhamos sem real satisfação, o trabalho é basicamente pouco compensador. temos que nos obrigar a fazer o que fazemos e este conflito interno conduz à exaustão do espírito e da mente, amortecendo os nossos sentidos e privando-nos de encontrar prazer em outras áreas de nossa vida. Trabalhando com resistência, somos naturalmente ineficientes e nosso trabalho tende a caminhar em direcção à mediocridade e ao fracasso, e não ao sucesso e à excelência.

(…) Nós em geral pensamos que trabalhamos para nosso próprio benefício, mas de facto não somos muito hábeis em satisfazer nossas necessidades e desejos. Conformamo-nos com um estilo de vida no qual a maior parte do nosso tempo é dedicada a uma actividade que achamos apenas parcialmente compensadora. Procuramos a verdadeira satisfação fora do trabalho, deixando as nossas vidas em suspenso durante o tempo em que estamos dedicando a ele. Procurando a alegria às margens da nossa vida, acabamos sustentando padrões negativos como vícios e escapes. O trabalho pode dar formas temporárias de gratificação do ego, mas há uma outra parte de nós, mais profunda, que não está sendo nutrida. Não é à toa que tantas pessoas sentem que alguma coisa está desequilibrada nas suas vidas.

(…) A escolha de não usar o trabalho como um campo de treino não é uma opção real. Quando as pessoas deixam de aprender com as lições que o trabalho ensina, elas lançam as sementes para o fracasso e a insatisfação na vida prática e perdem a oportunidade de encontrar o verdadeiro significado e a profunda realização no campo espiritual. Talvez muitos de nós vivamos exactamente assim, mas não há motivos para que isto continue.

Quando o trabalho torna-se um caminho de realização e satisfação, nossas acções tornam-se cada vez mais significativas. Ultrapassamos a sensação paralisante que o tempo despendido no trabalho roubou-nos dos nossos verdadeiros interesses, e readquirimos o controle sobre a metade de nossas vidas. Podemos então realmente tomar conta de nós mesmos. Em vez de nos preparar para decepções e frustrações, podemos satisfazer os nossos melhores interesses em tudo o que fizermos.

(…) As lições que aprendemos com o trabalho geralmente têm a ver com nossos erros e falhas, mas estas podem ser, de todas, as lições mais importantes. Talvez, o que percebamos sejam as maneiras pelas quais nos enrolamos ao trabalhar: as desculpas e a preguiça, a tensão e a preocupação, as desistências e os adiamentos. Se isto acontecer, podemos aprender muito com estas experiências. Conscientes do que estamos fazendo, podemos criar a intenção de mudar e desenvolver a disciplina necessária para isto. Neste ponto, o trabalho torna-se na nossa tábua de salvação para a transformação – o meio através do qual podemos desenvolver o nosso modo de pensar, as nossas atitudes, relacionamentos e acções.

(…) O trabalho tem valor em todos os aspectos do ser humano. Através do trabalho, podemos encontrar um modo de viver rico e saudável, fundamentado na abundância da atenção plena, concentração e energia. A riqueza que surge com este modo de ser elimina para sempre a sensação de que nossas vidas estão empobrecidas. Sejam quais forem as circunstâncias externas, estamos prontos para prosseguir, caminhando firmemente para a nossa realização.”

Lição de Vida: “Humildade e Trabalho”.

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Um jovem foi-se candidatar a um alto cargo numa grande empresa. Passou na entrevista inicial e estava indo ao encontro do Director para a entrevista final. O Director viu o seu CV, e era excelente. E perguntou-lhe:

– Você recebeu alguma bolsa na escola? – o jovem respondeu – Não.
– Foi o seu pai que pagou pela sua educação?
– Sim – respondeu ele.
– Onde é que seu pai trabalha?
– O meu pai faz trabalhos de serralharia.

O Director pediu ao jovem para que lhe mostrasse as suas mãos.
O jovem mostrou um par de mãos suaves e perfeitas.

– Já ajudou seu pai no seu trabalho?
– Nunca, os meus pais sempre quiseram que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, ele pode fazer essas tarefas melhor do que eu.

O Director disse-lhe:
– Eu tenho um pedido: Quando for para casa hoje, vá e lave as mãos do seu pai. E venha-me ver amanhã de manhã.

O jovem sentiu que a sua oportunidade de conseguir o trabalho era alta!

Quando voltou para casa, ele pediu ao seu pai para deixá-lo lavar suas mãos.
O seu pai sentiu-se estranho, feliz, mas com uma mistura de sentimentos e mostrou as mãos para o filho. O rapaz lavou as mãos do seu pai lentamente. Foi a primeira vez que ele percebeu que as mãos de seu pai estavam enrugadas e tinham muitas cicatrizes. Alguns dos cortes eram tão dolorosos que a sua pele se arrepiou quando ele a tocou.
Esta foi a primeira vez que o rapaz se deu conta do significado deste par de mãos trabalhando todos os dias para pagar os seus estudos. As contusões nas mãos eram o preço que o seu pai teve que pagar pela sua educação, pelas suas actividades escolares e o seu futuro.
Depois de limpar as mãos do seu pai, o jovem ficou em silêncio organizando e limpando a oficina do pai. Naquela noite, pai e filho conversaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o jovem foi encontra-se com o Director

O Director percebeu as lágrimas nos olhos do jovem quando ele perguntou:

– Pode-me dizer o que fez e aprendeu ontem na sua casa?
O rapaz respondeu:
– Lavei as mãos de meu pai e também terminei de limpar e organizar a sua oficina. Agora eu sei o que é valorizar, reconhecer. Sem os meus pais, eu não seria quem eu sou hoje. Por ajudar o meu pai agora eu percebo o quão difícil e duro é para conseguir fazer algo sozinho. Aprendi a apreciar a importância e o valor de ajudar a família.

O Director disse:
– Isso é o que eu procuro no meu pessoal. Quero contratar uma pessoa que possa apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conhece os sofrimentos dos outros para fazer as coisas, e que não coloca o dinheiro como seu único objectivo na vida. Está contratado.

Uma criança que tenha sido protegida e habitualmente dado a ela o que quer, desenvolve uma mentalidade de “Tenho direito” e sempre se coloca em primeiro lugar. Ignora os esforços de seus pais. Se somos esse tipo de pais protectores, estamos realmente demonstrando amor ou estamos destruindo nossos filhos? Pode dar ao seu filho uma casa grande, boa comida, educação de topo, um LCD de última geração… Mas quando está lavando o chão ou pintando uma parede, por favor, faça-o experimentar isso também. Depois de comer, que lave os pratos com os seus irmãos e irmãs. Não é porque não tem dinheiro para contratar alguém que faça isso; é porque quer amar do jeito certo. Não importa o dinheiro que tens, você quer entender. Um dia, vai ter cabelos brancos como a mãe ou o pai deste jovem. O mais importante é que a criança aprenda a apreciar o esforço e ter a experiência da dificuldade, aprendendo a capacidade de trabalhar com os outros para fazer as coisas.