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Oito versos que transformam a mente

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Certa vez Geshe Chekawa, um monge tibetano que dominava inúmeros ensinamentos de diversas escolas, se deparou com uma tira de papel contendo um trecho de duas linhas e se maravilhou:

Ofereça o ganho e a vitória aos outros.
Tome a perda e a derrota para si mesmo.

Então, procurou até encontrar um mestre nessas instruções: Sharawa, discípulo de Geshe Langri Thangpa (mestre Kadampa do século XII, o autor da prática). Ao questioná-lo sobre a natureza daquelas linhas, teve a resposta:

– Goste ou não desse ensinamento, você só pode dispensá-lo se não quiser alcançar o Estado de Buda.

Sharawa aceitou Chekawa como discípulo e o instruiu durante anos nessa prática que era a sua principal, denominada “Os Oito Versos que Transformam a Mente” (ou “Os Oito Versos de Langri Thangpa”). Após 6 anos de treinamento constante, o discípulo se realizou, eliminando todo e qualquer traço de egoísmo.

Os oito versos são:

1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

As oito preocupações mundanas são:

1. Desejar elogios
2. Rejeitar críticas
3. Desejar o prazer
4. Rejeitar a dor
5. Desejar o ganho
6. Rejeitar a perda
7. Desejar a fama
8. Rejeitar ser ignorado

 

 

 

 

 

Fonte: BudaVirtual

Versos de Louvar ao Buda

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I A face brilhante do Buda é gloriosa; A sua magnificência ilimitada. O seu radiante esplendor Está além de comparação. O sol, a lua e todas as jóias, Ainda que brilhem com uma luz deslumbrante, São completamente ofuscados e obscurecidos Como se fossem um monte de carvão.

 II O porte do Buda Está além de comparação em todo o mundo. A grande voz do Iluminado Ressoa através das dez direções. A sua moralidade, aprendizagem e esforço, Absorção na meditação, sabedoria E virtudes magnificentes não têm igual; São maravilhosas e insuperáveis.

III Ele medita profunda e diretamente No Dharma oceânico de todos os Budas. Conhece a sua profundidade E penetra até ao seu fundo derradeiro. A ignorância, a ganância e o ódio Estão ausentes para sempre no Honrado Pelo Mundo. Ele é o leão, o mais corajoso dos homens; A sua gloriosa virtude é ilimitada.

IV Os seus feitos meritórios são vastos: A sua sabedoria é profunda e sublime. A sua luz, a sua assombrosa glória, Abala o universo de milhares de milhões de mundos. Eu decido tornar-me um Buda, Igual a ti em realização, ó sagrado rei do Dharma, Para salvar os seres do nascimento e da morte, E os conduzir à emancipação.

V A minha disciplina quanto à generosidade, controle mental, Virtudes morais, tolerância e esforço, Bem como na meditação e na sabedoria, Será suprema e insuperável. Faço votos de que, quando me tornar um Buda, Levarei a cabo esta promessa em toda a parte; A todos os seres dominados pelo medo Darei grande paz.

VI Ainda que existam Budas Em número de milhões de kotis, E multidões de grandes sábios Incontáveis como as areias do Ganges, Farei oferendas A todos esses Budas. Procurarei o supremo Caminho Resoluta e incansavelmente.

VII Ainda que as terras de Buda sejam inumeráveis Como as areias do Ganges E as outras regiões e mundos Sejam igualmente sem número, A minha luz brilhará em toda a parte, Atravessando todas essas terras. Sendo esse o resultado dos meus esforços, O meu glorioso poder será imensurável.

VIII Quando me tiver tornado um Buda, A minha terra será supremamente requintada E os seus habitantes maravilhosos e inexcedíveis; O assento da Iluminação será sublime. A minha terra, sendo igual ao Nirvana, não terá comparação. Compadeço-me dos seres E resolvo salvá-los todos.

IX Aqueles que cheguem das dez direções Encontrarão alegria e serenidade de coração; Quando alcançarem a minha terra Residirão na paz e na alegria. Rogo a ti, o Buda, que sejas minha testemunha E que comproves a veracidade da minha aspiração. Tendo feito os meus votos perante ti, Lutarei agora por cumpri-los.

X Os Honrados Pelo Mundo das dez direções Possuem uma sabedoria sem impedimentos; Invoco esses Honrados Para que testemunhem a minha intenção. Ainda que tenha de permanecer Num estado de dor extrema, Praticarei diligentemente, Suportando todas as agruras com incansável vigor.”

SUKHAVATIVYUHA SUTRA – Transcrito para chinês durante a dinastia Ts’ao-Wei pelo mestre indiano do tripitaka, Samghavarman. Traduzido para o português pelo Rev. Murilo Nunes de Azevedo. Sobrebudismo.