Kintsugi: Arte japonesa de valorizar o antigo.

Kintsugi ou ”emenda de ouro”, também conhecido como Kintsukuroi (reparação com ouro) é a arte japonesa de reparar uma cerâmica quebrada com laca espanada ou misturada com pó de ouro, prata ou platina, um método semelhante à técnica maki-e.

A laca é uma incrustação resinosa, produzida em certas árvores, resultante da secreção de insectos, como Coccus lacca, encontrados em países do oriente como a Índia e a China.

Objectos laqueados são uma tradição de longa data no Japão, e em algum ponto pode ter sido combinado com maki-e como um substituto para outras técnicas de reparação de cerâmica.

Uma teoria é que o kintsugi pode ter se originado quando o shogun japonês Ashikaga Yoshimasa enviou uma tigela de chá chinesa danificada de volta à China para reparos no final do século 15. 

Quando foi devolvida, o reparo consistia de feios grampos de metal aparentes, e então ele solicitou aos artesãos japoneses para procurarem um meio mais estético de reparação. Os coleccionadores gostaram tanto da nova arte que alguns foram acusados de deliberadamente esmagar cerâmicas valiosas para que pudessem ser reparadas com as costuras de ouro kintsugi. O kintsugi logo se associou aos vasos cerâmicos usados no chanoyu (cerimónia de chá japonesa). Enquanto o processo é atribuído aos artesãos japoneses, a técnica foi aplicada a peças de cerâmica de outras origens, incluindo a China, o Vietname e a Coreia.

Como uma filosofia, kintsugi pode ter semelhanças com a filosofia japonesa de wabi-sabi, a aceitação do imperfeito ou defeituoso. A estética japonesa valoriza as marcas de desgaste pelo uso de um objecto. Isso pode ser visto como uma razão para manter um objecto mesmo depois de ter quebrado e como uma justificação do próprio kintsugi, destacando as rachas e reparações como simplesmente um evento na vida do objecto, em vez de permitir que o seu serviço termine no momento do seu dano ou ruptura.[Kintsugi pode se relacionar com a filosofia japonesa de “não importância” que engloba os conceitos de não-apego, aceitação da mudança e destino como aspectos da vida humana.

Mindar, o robô que é sacerdote budista no Japão

No templo histórico de Kodaiji, em Kyoto (Japão), os ensinamentos de budismo são transmitidos por um sacerdote diferente, não de carne e osso, mas de alumínio e silicone. Mindar é um robô com 1,93 metros de altura e 60 kg que dá sermões de Heart Sutra, uma das escrituras de budismo mais conhecidas. Humanizado pela sua cara humana, pelos gestos das mãos e pelo olhar de duas câmaras nos olhos que interagem com o público, Mindar foi criado em 2019 de um projecto de um milhão de dólares — cerca de 956,2 mil euros — entre o templo de Kodaiji e uma equipa da Universidade de Osaka.O objectivo, de acordo com a ABC News, é que o design mais humanizado quebre a barreira entre o “mundo espiritual, onde Buda existe, e o mundo físico, onde o Buda se materializa através de Mindar”, explicaram os seus criadores, citados pelo canal norte-americano. “O design no Mindar é para encorajar a imaginação das pessoas. A estátua de Buda tem um design semelhante, é difícil de perceber o género e a idade”,afirmou Hiroshi Ishiguro, responsável pelo design de Mindar.

A acompanhar as palestras do robô-sacerdote está uma projecção de um mapa 3D, onde uma apresentação pré-programada questiona Mindar sobre os ensinamentos do budismo. Embora as habilidades de Mindar se limitem a citar áudios programados, o templo planeia implementar tecnologia de inteligência artificial em Mindar para que este “acumule conhecimento ilimitado e fale de uma forma autónoma”. No Japão, cerca de dois terços da população pratica o Budismo. “Antes de ouvir os sermões de Mindar, as pessoas veem-no como um robô. Mas depois, passavam a vê-lo como Buda”, afirmou o líder do templo, Tensho Goto.

Qigong: Medicina tradicional e os seus benefícios.

O qigong, também conhecido como Chi Kung, é uma técnica chinesa antiga que consiste num conjunto de práticas conscientes. Tendo sido criado na época da Dinastia Han (206-220 d.C.) o qigong é formado por movimentos, técnicas de respiração, massagem, sons e treinos de foco que possuem o intuito de equilibrar a energia vital do corpo humano.

O termo “Qi” significa “energia vital”, enquanto “Gong” pode ser traduzido como uma habilidade cultivada por meio da prática constante. A técnica surgiu há cerca de 4 mil anos, e faz parte da medicina tradicional chinesa, que prega que o qi, ou energia vital, está presente no corpo de todas as pessoas. 

De acordo com os princípios da medicina chinesa, o qi necessita de fluir pelo corpo para que as pessoas mantenham o seu bem-estar. Caso a energia vital desse indivíduo pare num único local,  é possível que ele desenvolva algum problema de saúde. 

A partir deste ponto que se encontra o objectivo do qigong, manter a energia vital das pessoas em equilíbrio, para que a saúde não seja afetada. A fluidez do qi, na técnica do qigong, é essencial para que o corpo encontre o seu processo natural de cura. 

Existem dois tipos de técnicas no qigong, a dinâmica e a meditativa. A dinâmica é activa e foca principalmente nos movimentos do corpo, como os dos braços e das pernas. Já a meditativa é passiva e pode ser praticada em qualquer postura mantida por um longo período de tempo, envolvendo também exercícios mentais e de respiração.

Para iniciar a prática de qigong, é preciso saber que existem caminhos diversos que se pode seguir dentro deste tipo de medicina tradicional. Cada um possui os seus benefícios próprios, e diferem nas áreas de foco, intenção e metodologia.Os caminhos do qigong são:

Qigong clínico: O uso do qigong para o tratamento de uma variedade de diagnósticos, sempre como um tratamento complementar e não como uma única opção. O qigong clínico é praticado por pessoas que querem ensinar outros a praticar a medicina tradicional.

Cultivação pessoal: Aprender o qigong para a prática pessoal. O indivíduo que segue esse caminho tem o intuito de desenvolver a sua jornada de autoconhecimento, através dos movimentos e exercícios de respiração e intenção do qigong. 

Qigong marcial: O qigong também pode ser incluído na prática das artes marciais, com intuito de manter o equilíbrio do corpo e desenvolver a auto protecção do indivíduo. 

Qigong espiritual: Um estilo de qigong que tem como objectivo aumentar a ligação dos seus praticantes a tudo que é transpessoal, como a terra e a humanidade.

Não existem tantos estudos a respeito do qigong, como existem sobre o tai chi, por exemplo. A maior parte das pesquisas sobre o assunto são pequenas, ou de fontes limitadas. Por isso, pouco se sabe sobre os verdadeiros benefícios do qigong para a saúde física e mental. 

Para os praticantes da técnica, os benefícios do qigong vão muito além da sua validação científica. Segundo os fundamentos da medicina tradicional chinesa, o uso do qigong pode ser benéfico para o tratamento de qualquer condição, desde que seja utilizado como um complemento à cura.

Alguns dos benefícios do qigong, que ainda se sabe pouco a respeito, são:

  • Reduz sintomas de fibromialgia
  • Auxilia no tratamento de depressão e ansiedade
  • Melhora quadros de doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)
  • Ajuda a melhorar os movimentos de quem sofre com a doença de Parkinson
  • Reduz os níveis da pressão sanguínea
  • Ajuda a prevenir doenças cardíacas

Budismo dos podcasts e apps de meditação é autêntico?

Já utilizaste aplicações ou ouviste podcasts relacionados com o Budismo? Se sim, já deverás ter pensado em algum momento se o blBudismo que ali representado é autêntico ou não. Alguns estudiosos disseram que o Budismo Digital resume a apropriação e diluição ocidental das práticas tradicionais asiáticas. Em vez disso, o filósofo esloveno Slavoj Žižek entende como uma personificação do espírito tardio do capitalismo.

Argumentos contra o Budismo digital.

Os três argumentos que os estudiosos costumam apontar contra o Budismo Digital são os seguintes:

Primeiro Argumento: Alguns estudiosos argumentam que o budismo online difere das formas anteriores, não na mensagem, mas na forma como é transmitida.

Segundo argumento: Outros estudiosos olham como mero consumismo popular. Somente nas tradições historicamente ricas e complexas é que a sabedoria deverá ser levada de forma séria. Olham para certos aspectos como uma “reembalagem selectiva” para obter ganhos monetários.

Terceiro argumento: Alguns estudiosos vão mais longe e possuem uma visão de uma apropriação inapropriada das tradições asiáticas pela cultura popular ocidental. Como aponta a estudiosa religiosa Jane Iwamura: “Isso obscurece as vozes dos verdadeiros Budistas de ascendência asiática”.

A verdadeira Natureza da Felicidade

Há algo que todos os estudiosos que são contra o budismo digital não têm na sua mente: o profundo desejo de muitos Budistas ocidentais de ter uma intensa experiência espiritual. Para entender o que eles querem dizer com autenticidade, devemos olhar para os termos filosóficos gregos “hedónico” e “eudaimónica”. O conceito de hedonismo refere-se ao seguinte: o objectivo final da vida deve ser maximizar o prazer. E o que a cultura popular actual faz? Pois bem, tem como foco, a felicidade hedónica, que valoriza uma visão extrovertida, sociável e alegre da vida. Por isso, muito do Budismo digital que vemos nas aplicações de meditação promove momentos de felicidade pessoal, calma e relaxamento. Em vez disso, eudaimonia significa a condição de “bons espíritos”, que é comumente traduzido como “florescimento humano”. De facto, para Aristóteles, a eudaimonia é o fim mais elevado. O estudioso britânico da ética Budista Damien Keown argumenta que há uma ressonância entre a ética budista e a ética da virtude aristotélica. Keown pensa que no Budismo, o cultivo da felicidade eudaimónica, se não for suficiente, é necessário para manter uma vida boa. E que é a preocupação com o bem-estar dos outros, humanos e não humanos, que leva a uma vida feliz que vale a pena ser vivida.

Então, o que é prática autêntica?

Devemos ter em mente que o Budismo foi modificado e traduzido para novas culturas, milhares e milhares de vezes. E sim, é verdade que o Budismo ocidental online mostra que foi traduzido para se adequar à nossa sociedade de consumo. A prática Budista digital aborda a boa vida como eudaimónica. Ou seja, que leva ao florescimento humano baseado na busca de um significado mais profundo, poderíamos dizer que é autêntico. Uma prática inautêntica é aquela que simplesmente promove o hedonismo, apenas felicidade e relaxamento.

Kum Nye – A Ioga Tibetana.

A palavra “kum” significa “corpo ou corporificação”, e “nye”, “massagem ou interacção”. O Kum Nye é, essencialmente, a massagem, o cultivo do sentimento activado pelo corpo. A ioga tibetana é diferenciada por uma série de exercícios simples, porém eficientes e curativos, que visam aliviar o stress, promover o equilíbrio e a saúde e aumentar a satisfação e a apreciação pela vida. Durante séculos, o Kum Nye Yoga foi uma tradição oral e, posteriormente, foi sistematizado e adaptado para o Ocidente por Tarthang Tulku Rinpoche, o lama-chefe da linhagem Nyingma. “Ele observou que os novos alunos tinham dificuldade de ficarem sentados por longos períodos. Havia inquietações, distrações mentais e desconforto físico. Para ajudá-los, o lama introduziu exercícios de ioga Kum Nye antes da meditação e obteve resultados muito positivos: pessoas que haviam tentado meditar sem sucesso por meses, ou mesmo anos, foram capazes de aquietar o corpo e a mente usando esses exercícios”, explica Wanessa Nemer – Instrutora. Segundo ela, “a prática é fundamentada em teorias dos sistemas de energias densas e subtis do corpo, que são a base da medicina tibetana e das disciplinas do budismo sobre o corpo e a mente, e em textos Vinaya do budismo, que descrevem como viver de acordo com as leis físicas e universais”.

O Kum Nye é um sistema de cura que usa posturas, movimentos lentos e respiração para restaurar a totalidade do ser através da consciência corporal e pode ser realizado por pessoas de todas as idades, sem qualquer restrição. “O sistema de relaxamento Kum Nye aborda holisticamente o corpo e a mente, integrando e equilibrando o físico e o psicológico para gerar saúde. Corpo e mente parecem necessitar de relaxamento, especialmente no mundo de hoje, onde as actvidades do dia a dia geram muito stress. Eles dissolvem as tensões do corpo e da mente, e as energias da vida começam a fluir mais livremente”, diz Wanessa. A instrutora explica que se trata de uma prática de cura e “uma preparação para estabelecer e sustentar um sentido de inteiro com o qual se torna possível tocar a calma e obter clareza interna”. “Quando contactamos a calma, o relaxamento começa. A prática ajuda nos tratamentos de sintomas de ansiedade, depressão e síndrome de pânico, mas sempre recomendamos que o aluno também procure atendimento médico ou de profissional qualificado para sintomas mais graves”, explica.

Embora seja uma tradição predominantemente oral, os textos médicos tibetanos referem-se à ioga Kum Nye “como uma forma de cura de pensamentos e ações negativas, comportamento e dietas impróprios, que são resultantes do desequilíbrio e bloqueio de energia. Descrito em termos gerais nos textos Vinaya do budismo (ensinamentos que guiavam a conduta de monges e monjas), a ioga Kum Nye é vista como uma forma de alívio para a fadiga derivada de longos períodos de meditação”, ressalta Wanessa Nemer. A ioga Kum Nye, diz ela, “é parte das teorias e práticas médicas e espirituais que ligam a medicina tibetana à medicina indiana e chinesa”. “Esta linhagem deu origem a muitas disciplinas, tais como a ioga e a acupuntura, e está nas raízes de muitas outras mais recentes que tratam do corpo e da mente”, relata.

Benefícios

. Alivia o stress

. Promove o equilíbrio e a saúde

. Aumenta a satisfação e apreciação pela vida

.Ajuda na concentração e na meditação

.Integra o corpo e a mente.

Quem é desapegado é frio? | Tenzin Palmo

“No coração da vida”, livro da Monja Budista Jetsunma Tenzin Palmo, numa determinada pasagem, ela falava sobre o DESAPEGO trazendo uma reflexão que muita gente faz e que mostra o quanto verdadeiramente não sabem o que é o desapego, uma das maiores virtudes que os seres humanos podem desenvolver.

Ela afirmou: “As pessoas pensam que se alguém é desapegado, é frio. Mas isso não é verdade. Qualquer um que encontre um dos grandes mestres espirituais, realmente desapegados, ficará impressionado com o afecto deles por todos os seres, não só aqueles dos quais gostam ou com quem se relacionam. O desapego liberta algo muito profundo dentro de nós, porque liberta aquele nível de medo. Todos nós temos muito medo: medo de perder, medo da mudança, uma incapacidade de simplesmente aceitar.”

Ela está dizendo por outras palavras, que só depois de nos livrarmos dos nossos medos mais profundos é que podemos de facto ser desapegados. Quanto mais desapegados nós somos maior a nossa capacidade de amar a todos com PLENITUDE, com ENTREGA, sem nenhum tipo de exigência, de cobrança nem expectativas.

Ao longo desse livro ela também fala muito sobre o amor apegado e amor desapegado. Se tenho o amor desapegado, eu deixo a pessoa seguir a sua vida a qualquer momento. Se ela de repente não me quiser mais na sua vida, simplesmente digo: “Seja feliz! Se a minha presença não lhe agrada mais, tudo que quero é a sua felicidade, vá em paz…”.

Quantos de nós consegue reagir dessa maneira quando alguém decide ir embora das nossas vidas? Umq minoria. O nome disso é DESAPEGO, e somente com muito amor no coração é que podemos deixar as pessoas irem sem ressentimentos e mágoas.

O medo que carregamos no nosso coração é muito profundo, e por causa desse medo agarramo-nos às pessoas que amamos e de forma totalmente ilusória confundimos isso com amor.

O resumo do que se vem dizendo é isso. Aprofunde cada vez mais o autoconhecimento, porque ele nos leva a desenvolver mais o amor próprio. Aprendendo a amarmos mais a nossa pessoa, consequentemente o amor às outras pessoas irá crescer na mesma proporção. Quanto mais amor eu nutrir pelos outros, menos medo terei no meu coração. E quando chegar a esse patamar de não ter mais medo da vida, entrarei no já mencionado “Coração da Vida”.

Base para as Boas Qualidades | Tsongkhapa

(1) A confiança (saudável) num gentil mestre espiritual, a base para todas as boas qualidades, é a raiz do caminho. Vendo isso, peço inspiração para que nele confie com grande estima, em muitas iniciativas.

(2) Esse excelente material de trabalho, que permite liberdades temporárias, e que encontramos apenas uma vez, é difícil de ser obtido. Certo da sua grande importância, peço inspiração para desenvolver, sem interrupções, uma atitude de aproveitá-lo de todas as formas, dia e noite.

(3) Na hora da morte, o meu corpo e força vital se esvairão rapidamente, como bolhas bum riacho. Lembrando disso, e com a certeza de que após a morte os frutos de minhas acções brilhantes e obscuras me seguirão,

(4) Como a sombra segue o corpo, peço inspiração para me livrar até mesmo da menor a ção que possa dar origem a uma rede de falhas, e efectuar todas as acções que possam originar uma rede de forças positivas.

(5) Os esplendores da existência compulsiva, mesmo quando aproveitados, nunca nos satisfazem; porta para todos os problemas, não servem para dar segurança à mente. Ciente desta armadilha, peço inspiração para desenvolver um grande e ávido interesse pelo êxtase da liberação.

(6) Induzido por esse pensamento puro e motivador, peço inspiração para realizar com presença mental, atenção e muito cuidado, as práticas de libertação individual, a raiz dos ensinamentos.

(7) Assim como caí no oceano da existência compulsiva, todos os outros seres sencientes também caíram — eles foram as minhas mães. Vendo isso, peço inspiração para gerar o supremo ideal de bodhichitta e tomar para mim a responsabilidade de libertar todos os seres sencientes.

(8) Mesmo tendo tomado apenas esta única resolução, se não tiver como hábito os três tipos de disciplina ética, não conseguirei atingir o [supremo] estado purificado. Vendo isso, peço inspiração para treinar com muito esforço nos votos de bodhisattva.

(9) Peço inspiração para desenvolver rapidamente no meu continuum mental um caminho que combine uma mente quieta e assentada com uma mente excepcionalmente perceptiva; acalmando a mente que se distrai com objectos que a distorcem e discernindo apropriadamente o significado correcto [da vacuidade].

(10) Quando tiver treinado os caminhos usuais e tornado-me um vaso, peço inspiração para facilmente entrar no Veículo Adamantino, o supremo entre os veículos, a trilha sagrada dos afortunados.

(11) Então, quando estiver absolutamente certo de tudo o que foi dito, que a base para obtermos os dois tipos de realização são as práticas que estreitam nossos vínculos e a manutenção pura dos votos, peço inspiração para mantê-los mesmo que isso me custe a vida.

(12) Então, compreendendo correctamente os pontos essenciais dos dois estágios que são a essência das classes do tantra, peço inspiração para actualizá-las de acordo com a fala iluminada do Sagrado, nunca me afastando da conduta das quatro sessões (diárias) de yoga. 

(13) Peço inspiração (bençãos) para que os pés dos mentores espirituais que indicam esse excelente caminho, e os dos amigos que o praticam adequadamente, permaneçam firmes e que as interferências internas e externas sejam acalmadas.

(14) Que eu nunca, em todas as minhas vidas, separe-me dos gurus perfeitos; que eu dê bom uso ao dharma perfeito; e ao atingir completamente todas as boas qualidades dos estágios e caminhos, que eu rapidamente alcance o estado de Vajradhara.

Quatro chaves para o bem-estar segundo os Budistas.

Um dos maiores especialistas do mundo sobre os efeitos da meditação cerebral, Richard J. Davidson, estudou os mais conceituados especialistas em meditação (aqueles que já praticaram cerca de 10.000 horas).- incluindo o monge francês Matthieu Ricard e mestre budista Rinpoche Mingyur meditado.

A partir dos seus estudos, Davidson acredita que existem quatro qualidades da mente que são a base do bem-estar verdadeiro. Essas qualidades estão relacionadas à neuroplasticidade, ou seja, qualquer indivíduo pode treinar para desenvolvê-las, sendo que a meditação pode exercer uma ajuda relevante nos resultados.

1. Resiliência

Um mundo impermanente, como ensinado pelo Buda, produz sofrimento. É inevitável que tenhamos momentos ruins, momentos difíceis. A chave é como respondemos a eles e como somos capazes de nos recuperar. A resiliência é a velocidade com que alguém se recupera da adversidade, que está associada ao bem-estar. A meditação melhora essa habilidade; No entanto, para que haja diferenças notáveis, deves meditar cerca de 10 mil horas. Essa é a qualidade que leva mais tempo para produzir benefícios. No entanto, uma prática intermediária de meditação pode ajudar em geral com apego e, portanto, criar uma atitude mais saudável antes das emoções.

2. Prospecção

Davidson descreve esta qualidade como a capacidade de ver o lado positivo nos outros e na vida em geral, têm uma exploração positiva. No budismo e as religiões em geral, isto é conhecido como ver a bondade inata de todos os seres. Meditação da compaixão prática (como metta ou tong-len ) leva rapidamente a activações em circuitos cerebrais ligadas à prospecção ou a maneira que abordar as coisas. Gerar pensamentos de compaixão, muda o teu cérebro e te faz feliz.

3. Atenção

Essa é a qualidade que talvez seja mais urgente de ser cultivada no mundo moderno, bombardeada por estímulos fragmentados de informação digital. De facto, a nova economia é baseada na captura de informações de pessoas. É por isso que alguns professores de meditação, como Alan Wallace, consideram que, como espécie, temos um déficit de atenção global. Além disso, existem numerosos estudos que mostram que a distracção e a ruminação estão associadas à depressão e ansiedade. Por outro lado, os chamados estados de ” fluxo ” são caracterizados pela concentração. Davidson acredita que a meditação é uma maneira de educar a atenção.

4. Generosidade

Segundo Davidson, comportamentos generosos e altruístas, ou simples gratidão, estão associados ao sentimento de bem-estar. Novamente, meditações que geram um senso de amor ou compaixão produzem a activação de circuitos neurais ligados ao bem-estar. Certamente, quando uma pessoa ora por outra pessoa, a mesma coisa acontece.

Meditação do Amor

Primeiro para si, depois para alguém próximo, depois para um grupo de pessoas neutro, depois para alguém com quem temos dificuldade de nos relacionar. Prática deixada por Buda, adaptada por Buddhagosha e mais recentemente pelo mestre Thich Nhat Hanh

“Que eu seja pacífico, feliz e leve de corpo e espírito.
Que eu possa estar seguro e livre de traumas e acidentes.
Que eu fique livre da raiva, aflições, medo e ansiedade.

Que eu aprenda a olhar para mim mesmo com os olhos do entendimento e do amor.
Que eu seja capaz de reconhecer e tocar as sementes de alegria e felicidade em mim mesmo.
Que eu aprenda a identificar e ver as fontes de raiva, desejo e ilusão em mim mesmo.

Que eu saiba nutrir as sementes da alegria em mim mesmo todos os dias.
Que eu possa viver revigorado, estável e livre.
Que eu esteja livre de apego e aversão, mas não indiferente.”

Thich Nhat Hanh no livro Ensinamentos sobre o Amor

5 Treinos da Mente | Thich Nhat Hanh

Primeiro treino da mente

Consciente do sofrimento causado pela destruição de tudo o que seja vivente, comprometo-me a cultivar a compaixão e a aprender a proteger as vidas de pessoas, animais, plantas e minerais. Estou decidido a não matar, a não permitir que matem e a não aderir a qualquer forma de destruição de vida no mundo, na minha forma de pensar e no meu modo de vida.

Segundo treino da mente

Consciente do sofrimento causado pela exploração, a injustiça social, o roubo e a opressão, comprometo-me a cultivar a bondade amorosa e a aprender a trabalhar pelo bem estar de pessoas, animais, plantas e minerais. Praticarei a generosidade partilhando o meu tempo, energia e recursos materiais com quem necessite. Estou decidido a não roubar e a não ter em minha posse aquilo que pertença a outros. Respeitarei o património dos demais e não permitirei que se aproveitem do sofrimento humano ou do de outras espécies do Planeta.

Terceiro treino da mente

Consciente do sofrimento causado pela má conduta sexual, comprometo-me a cultivar a responsabilidade e a aprender a proteger e garantir a integridade de pessoas, casais, famílias e sociedade. Estou decidido a não ter relações sexuais sem que haja amor e sincero compromisso. Para preservar a minha felicidade e a dos demais, comprometo-me a respeitar tanto os meus compromissos quanto os dos demais. Envidarei todos os meus esforços para proteger crianças de abusos sexuais e para impedir a separação de casais e famílias devido à má conduta sexual.

Quarto treino da mente

Consciente do sofrimento causado pela palavra leviana e a incapacidade de escuta, comprometo-me a cultivar a palavra amorosa e a escuta profunda para trazer alegria e felicidade aos demais aliviando seus sofrimentos. Ciente de que as palavras tanto criam felicidade quando sofrimento, estou decidido a dizer a verdade usando palavras que inspirem confiança, alegria e esperança. Não divulgarei informação sem me assegurar da sua veracidade e não criticarei nem condenarei sem ter certeza. Evitarei palavras que possam causar divisão ou discórdia, fragmentar famílias ou comunidades. Farei tudo ao meu alcance para reconciliar e resolver todos os conflitos, por menores que sejam.

Quinto treino da mente

Consciente do sofrimento causado pelo consumo leviano, comprometo-me a cultivar saúde física e mental para mim, a minha família e a sociedade, praticando a plena atenção enquanto me alimento, bebo, me informo, ou adquiro bens de consumo. Ingerirei apenas itens que preservam a paz, o bem estar e a alegria no meu corpo e consciência e no corpo e consciência da minha família e sociedade. Estou decidido a não consumir álcool ou outros tóxicos ou de ingerir alimentos ou adquirir bens de consumo e informações que contenham toxinas tais como alguns programas de televisão, revistas, livros, filmes e temas de conversação. Estou ciente de que, permitindo que tais venenos causem danos ao meu corpo ou consciência, estaria traindo os meus antepassados, parentes, a sociedade em que vivo e as gerações futuras. Envidarei todos os esforços na transformação da violência, medo, raiva e confusão em mim e na sociedade adoptando uma dieta e hábitos de consumo salutares para mim e para a sociedade, vitais para a minha transformação e a para transformação da sociedade.